#Curta: Man In Phone

Imagine acordar dentro de seu smartphone. Essa é a premissa de Man In Phone (2016), a curta metragem dirigida por Mackenzie Sheppard.

De maneira inexplicável, um homem japonês acorda preso dentro de seu smartphone. Transportado para essa outra realidade, ele apenas consegue observar o mundo exterior por de trás da tela, incapaz de se comunicar. A situação, então, o faz confrontar o estrago que o vício tecnológico causou a sua vida.

A produção japonesa consegue surpreender em vários aspectos. A começar pela solução simples de como representar o homem enclausurado, fazendo um bom uso da câmera, do jogo de luzes e explorando o espaço ao redor do smartphone. Mas o principal fator é a crível atuação de desespero do sujeito a observar tudo por de trás de uma tela. Os efeitos especiais são de boa qualidade, assim como os sonoros. Em dado momento apresentam um ciberespaço com uma estética até parecida com o que imaginávamos a algumas décadas, mas com ícones de aplicativos como são usados hoje.

Talvez o mais incrível de Man In Phone sejam as reflexões que ele proporciona em seus menos de oito minutos, além de um desfecho na medida do necessário.

Ou assista pelo Vime:

Podcast Ultrageek: Hackers – Piratas De Computador

O podcast da Rede Geek, o Ultrageek, abordou o filme Hackers – Piratas De Computador (1995) em um de seus episódios. Explorando os erros técnicos propositais, a equipe justifica as escolhas do diretor em usá-los, também comentam as tecnologias e técnicas de phreaking/hacking que se tornaram datadas. E com bastante humor citam os pontos mais marcantes do filme, as referências, influências e seus personagens fora do comum.

http://www.redegeek.com.br/2015/05/26/ultrageek-196-hackers-piratas-de-computador/

Cyber Brasiliana

Sinospe:
Em uma realidade alternativa, que se desenvolve em um universo pós-cyberpunk, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul – a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida. Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.

Cyber Brasiliana

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Hackers (1995)

Lançado em 1995, ano de grande importância (e por que não dizer também mudanças?) para o gênero, Hackers trazia ao cinema uma visão pop da cultura hacker.

Sinopse:
Aos 11 anos, um adolescente conhecido como Zero Cool se torna uma lenda depois de inutilizar 1507 computadores em Wall Street, provocando um caos no mundo financeiro. Proibido de usar um computador até chegar aos 18 anos, ele finalmente retorna sob o codinome Crash Override. Junto de seus novos amigos, ele terá de reunir evidências contra um complô que tenta os incriminar, ao mesmo tempo em que são perseguidos pelo Serviço Secreto.

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Resultados do Desafio X-Punk — EntreContos

Quando soube que o site Entre Contos iria realizar um concurso literário voltado ao tema cyberpunk e seus vários subgêneros, fiz questão de acompanhar e participar como avaliador. Tive de dedicar um bom tempo para ler os 40 contos e acabei dando um pausa aqui no Cyber Cultura. Mas valeu a pena acompanhar um evento importante para a formação de novos escritores e descobrir novos talentos nacionais.

Caros EntreContistas, Um dos desafios mais exigentes que já tivemos por estas bandas. Quarenta contos inscritos e apenas três desclassificados, abordando as diversas faces do universo punk, em suas versões cyber, steam, bio, glitter e… café. Haja criatividade e haja polêmica! Mais de 1600 comentários revelando toda a dedicação e paixão de nossos participantes. Muitos parabéns, como diz […]

via Resultados do Desafio X-Punk — EntreContos

Construindo o Cyberpunk – Parte II

Após a breve análise das características abordadas na Parte I, high tech e low life, é hora de se aprofundar na proposta do post: trilhar um caminho para o surgimento do cyberpunk.

Apesar de haver contradições sobre o tema tecnológico do universo cyberpunk e o mundo atual, afirmar que o subgênero é datado, é uma conclusão precipitada. Digo precipitada, pois em questões relativas a informática, há muitos pontos em que a “predição” de certos autores, se concretizaram. Baseado na proximidade que temos com a tecnologia hoje em dia, é fácil dizer que já vivemos o cyberpunk. Afinal, fazemos compras online, interagimos através de dispositivos eletrônicos, nos comunicamos virtualmente com o resto do mundo. Esse texto é um exemplo disso. O sentimento de estar conectado, é algo muito intenso.

Mas, afinal, seria esse o único ponto a ser analisado? Se pensarmos apenas no conceito dessas tecnologias e não em suas ferramentas de acesso, sim. Porém, acho isso um tanto reducionista. Gosto de evocar as obras que surgiram antes do postcyberpunk para refletir sobre isso, pois após ele tudo ficou mais ajustado a realidade tecnológica dos anos 90 em diante. Ou seja, computadores, internet e celulares já eram populares. Então, olhando para as obras ainda da década de 80, já temos exemplos de tecnologias que ainda não existem. Não é necessário ir longe para encontrá-las. O clássico Neuromancer já traz uma quantidade suficiente de itens a ser analisados: inteligência artificial geral, simstim, implantes cibernéticos sofisticados e a transferência de memória/consciência para meios virtuais. Ou seja, o cyberpunk ainda se trata de um futuro próximo, sim.

Então, em relação aos aspectos tecnológicos, o que seria necessário? Acredito que para construir uma realidade cyberpunk, precisamos de uma ferramenta capaz de trazer o futuro até nós: a Automação.

É claro, que ela não é o único meio para se obter resultados. Mas se tratando de implementação de novas tecnologias, é notável como muitas delas surgem nas indústrias. E o que acontece atualmente, é o investimento em automação de processos. Vivemos a aurora da Quarta Revolução Industrial e muitas pessoas ainda não se deram conta disso. É a indústria quem primeiro necessita de upgrades tecnológicos em suas linhas de produção. Protocolos de comunicação entre redes, aprimoramento de sensores, transdutores, equipamentos de medição e diversas outros, surgem primeiro para laboratórios, indústrias e pesquisas encomendadas para criação de novos produtos.

Primeiro é preciso entender um pouco sobre ela. De forma grosseira, a automação como conhecemos hoje, surgiu no final da década de 60. Aquilo que ficou conhecido como Controlador Lógico Programável (CLP), substituiu os relés elétricos, criando uma maior dinâmica dentro da indústria, pois ele necessita apenas de alterações de programação dentro de sua memória para enviar comandos de realização das tarefas.

Isso representa uma economia em espaço, trocando um enorme painel elétrico por um aparelho menor; de dinheiro, pois o investimento terá facilmente um retorno produtivo e menor necessidade de manutenção; e de tempo, pois é facilmente reprogramável. Portanto, se a tecnologia de automação cria avanços industriais, isso acaba sendo revertido em mais avanços tecnológicos para outras áreas.

Mas o que ela pode fazer a favor do surgimento de uma realidade cyberpunk? Basicamente, a automação alavanca o desenvolvimento tecnológico e a criação de produtos cada vez mais sofisticados. Ela consegue unir diversas áreas como a elétrica, a programação e a eletrônica, consequentemente, a robótica. Portanto, se a ambientação cyberpunk requer alta tecnologia, haverá uma grande presença da automação dentro dessa realidade. Olhar para o futuro da automação, é enxergar máquinas cada vez mais autônomas e inteligentes.

Como distopia, o cyberpunk apresenta criminalidade e desemprego. A automação pode ocasionar que isso se torne algo cada vez mais real em nosso mundo. Mas DEPENDERÁ de quão sofisticado é o sistema autônomo que irá atuar na área de produção. Também DEPENDERÁ de como o avanço da automação será implementado. Ou seja, se optarmos pela construção de uma distopia, quanto maior for a substituição sem planejamento de humanos por máquinas, maior a chance da sociedade colapsar em miséria e injustiça.

Outra característica interessante relativa a automação, é o conceito da domótica, ou seja, a automação dentro das residências. A comunicação entre os elementos de uma casa, confere maior controle sobre ela, a ponto de a própria residência poder representar uma inteligência autônoma. A presença de tecnologia dentro dos lares pode não ser um detalhe tão notório em uma obra, pois em uma realidade futurista, ninguém encararia isso como algo inovador, já que o conceito de domótica existe desde a década de 70. Mas em um volume de Transmetropolitan, somos rapidamente apresentados a uma inteligência artificial viciada em simuladores de alucinógenos, que faz parte de um eletrodoméstico. Em outro momento, o protagonista [Spider] se dedica a assistir televisão um dia inteiro, posteriormente sofrendo com a tecnologia invasiva das propagandas, capazes de causar sonhos que o induz a consumir produtos específicos.

Mas quando chegaremos a esse grau de sofisticação? Provavelmente não tão cedo. Apesar de a indústria já ter começado a avançar sobre Internet das Coisas, para criar uma cadeia de produção inteligente ligada a Big Data, ela ainda está muito limitada no momento atual. E mesmo que isso exploda e a Quarta Revolução Industrial massifique seus métodos de produção, ainda dependeremos da capacidade de uma inteligência artificial sofisticada o suficiente para que isso, aliado ao egoísmo de corporações, torne o mundo um caos que sobrepuja o ser humano por meio da tecnologia. Então, sem a intervenção do Estado e com máquinas substituindo não somente funções, mas empregos, estaremos em frente a face distópica do cyberpunk, ao menos, uma delas.

As relações entre a tecnologia e o cyberpunk, rendem densos temas a serem explorados. Eu poderia estender o texto, mas isso o tornaria cansativo como uma dissertação de mestrado. Não me baseei em fontes para a criação desse texto, apenas relacionei o tema ao que aprendi na graduação em automação, nem entrei em detalhes mais complexos para não descaracterizar o foco na literatura.

Erros – Parte III

Continuando com mais um item, e esse é o mais difícil de falar sobre, o postcyberpunk. Todo fã já deve ter se deparado com essa separação, que foi iniciada em 1995 com o lançamento do livro The Diamond Age, de Neal Stephenson. A questão é: essa nova visão apresentada é suficiente para se criar um novo subgênero literário? Eu nunca enxerguei muito sentido nisso e vou tentar explicar porque. Por definição, o postcyberpunk seria uma maneira mais atualizada de descrever o mundo tecnologicamente, em que seus personagens saem da abordagem “alienados pela tecnologia” e a abraçam, sendo ela considerada sociedade. Então, uma mudança na maneira do protagonista em observar o mundo que o cerca, é o pilar disso tudo? Para mim, nada mais parece do que a escolha de representar um personagem mais fácil de se identificar com o mundo real. Fugindo um pouco da distopia, mas não se assumindo como utopia. Apenas sendo mais realista em sua abordagem.

Outro elemento que é considerado postcyberpunk, é o protagonista em relação ao Status Quo. Ou ele está lutando para mudá-lo (em busca de melhorar as condições sociais), ou está lutando para protegê-lo. Essa é a característica que acho menos atrativa. Pois em qualquer história, sendo ela ficção científica ou não, há algo que possa ser assemelhado a ideia de ter um protagonista querendo evoluir ou se manter como está. Simplesmente, é um argumento muito generalista dentro da literatura, para me fazer interpretar isso como uma mudança de paradigma. Parece apenas o cyberpunk “clássico” com outro ponto de vista.

Aí entra outra questão, a descrição da tecnologia. O postcyberpunk ficou muito marcado por nanotecnologia e biotecnologia na obra de Neal Stephenson. Se considerarmos cada uso de diferente tecnologias, teremos “n” subgêneros literários, onde “n” assume o valor da quantidade de tecnologias existentes. Um argumento como esse faz bastante sentido para os outros subgêneros do cyberpunk. Basicamente temos histórias e mais histórias passadas nas mais diversas épocas com os mais diferente tipos de enfoque tecnológico a ser explorado pelo autor. Mas até onde isso pode ser considerado um novo movimento literário ao invés de apenas uma nova roupagem?

No fim das contas, os dois movimentos [cyber e postcyber] parecem usar da ficção para contar uma mesma história. Não há uma ruptura como houve entre a ficção clássica e o cyberpunk. Personagens mudam de lado em qualquer gênero literário. Tecnologias e teorias novas são acrescentadas a literatura todos os dias. Recentemente, um artigo do Neon Dystopia abordou o postcyberpunk, onde o “clássico” e o “post-” são definidos, e ainda assim, não fui convencido. O maior argumento desse artigo, consiste em associar o postcyberpunk como um amadurecimento do gênero. Mas, sinceramente, quando vejo protagonistas niilistas sendo substituídos por atos de heroísmo ou de preocupações mais realistas, enxergo um público que busca um material mais acessível. Em contrapartida, traz novos temas para refletir sobre.

Provavelmente, nem seja um erro criar esse subgênero dentro do cyberpunk, e tudo não passa de uma implicação minha. Porém, o que me deixa descrente nessa diferença entre os dois, seja justamente a falta de uma lacuna maior. Quando o cyberpunk surgiu, ele logo foi entendido como uma nova maneira de observar o futuro da humanidade e sua relação com a tecnologia, representando com grande niilismo o nosso presente [daquela época]. Trinta anos depois, o que mudou? Quase nada. O mundo não sofreu uma alteração grande o suficiente para que uma nova visão surja, tampouco a literatura em busca de um outro olhar sobre esses fatos. A maior mudança veio apenas do ponto de vista dos protagonistas.

Uma comparação um pouco boba de se fazer, mas útil, é olhar o nosso presente. A literatura se tornou um grande espaço de representatividade. Muitos autores não querem tratar da ficção apenas como ficção, mas querem representar valores sociais em seus personagens. De contexto raciais, a mudança de sexo e nacionalidade, a literatura dessa década mudou muito. Não em vão, houve aquela situação na premiação do Hugo Awards de 2015. Porém, nem mesmo após um movimento tão grande e tão discutido, estão surgindo classificações “post-x”, onde o x pode representar um gênero ou subgênero qualquer.

Outro argumento defendido no postcyberpunk, é tratar a literatura de ficção especulativa como um movimento contínuo até o cyberpunk. A partir dali, os novos autores que cresceram lendo a ficção escrita até os anos 80, criariam uma descontinuidade nessa suposta linha temporal. Com base nisso, é fácil recriar o mesmo raciocínio a cada 20 ou 30 anos, talvez até menos, dependendo da situação do mercado editorial.

Até que surja algo capaz de revolucionar a maneira de se contar histórias de ficção especulativa novamente, todos seus subgêneros continuarão sendo apenas desdobramentos das mesmas ideias, mas em tecnologias e/ou épocas diferentes. O mais longe que consigo enxergar como algum avanço direto do cyberpunk, sem tentar apenas trocar sua roupagem, seria o Cyberprep. Sua maior diferença é a remoção do elemento punk da história, uma mudança significativa em um dos elementos primordiais.

Blade Roller

Em 1993, foi ao ar um comercial da Coca-Cola dirigido por David Fincher. Na época, ele ainda não era o grande nome do cinema norte americano que é hoje. Em menos de um minuto, ele consegue nos remeter aos idos anos 90. Nessa época, o cyberpunk ainda tinha uma grande força de expressão dentro da cultura pop, inclusive o dito “postcyberpunk”, surgia na literatura havia pouco tempo. O nome Blade Roller, talvez seja uma menção ao filme Blade Runner, apesar de não ter encontrado qualquer informação sobre isso.

O comercial é um fruto dessa nostálgica época. A caracterização do cenário noturno, os capacetes com visores automáticos, a influência da cultura oriental e, principalmente, o uso de patinadores para representar a insubmissão ao “sistema”, com suas atitudes de irem contra ao estado policial e o fechamento das lojas. Tudo isso, para roubarem garrafas de Coca-Cola. Bem-vindo à Zero-City do ano de 2021!

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