Podcast É Pau, É Pedra: Clube do livro – Neuromancer

O podcast formado pelo grupo de contribuidores do Anticast – É Pau, É Pedra – gravou um episódio sobre o clássico Neuromancer, de William Gibson, que foi ao ar em 2016. O programa é boa uma indicação para aqueles que procuram compreender melhor diversas nuances da obra e do movimento literário cyberpunk, como sua datação, linguagem e especulações tecnológicas.

O convidado especial, Fábio Fernandes, quem realizou a última tradução de Neuromancer para o português, conta um breve histórico sobre as diferentes traduções que a obra recebeu desde que foi lançada no Brasil em 1991. Também revela as dificuldades e peculiaridades do processo, que resultou em seu trabalho para a editora Aleph.

Mas atenção: a partir de certo ponto, devidamente comunicado pelos apresentadores, há spoilers comentando todos os capítulos.

Clube do Livro #3 – Neuromancer (William Gibson)

Anúncios

Cyberpunk Writers

Para os que dominam a língua inglesa, o grupo Cyberpunk Writers é um interessante espaço de discussão do subgênero. Focado na arte da escrita e edição, é possível acompanhar o cenário americano independente de ficção científica, percebendo que seus problemas no mercado editorial não são tão diferentes dos nossos.

https://www.facebook.com/groups/874654982584725/

Os administradores também são idealizadores do zine Phase 2 Magazine e da antologia Altered States.

Cyber Brasiliana

Sinospe:
Em uma realidade alternativa, que se desenvolve em um universo pós-cyberpunk, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul – a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida. Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.

Cyber Brasiliana

Continuar lendo

Ao Sugo

O blog Ao Sugo, tem um carinho especial ao tratar de temas relativos a ficção científica, principalmente do cyberpunk. Os artigos procuram debater com profundidade as características do movimento, além de abordar obras marcantes do cinema e da literatura.

Ao Sugo é escrito pelos amigos Victor Hugo e Marcus Vinicius, onde todas as formas de cultura geek são discutidas.

https://aosugo.com/tag/cyberpunk/

Resultados do Desafio X-Punk — EntreContos

Quando soube que o site Entre Contos iria realizar um concurso literário voltado ao tema cyberpunk e seus vários subgêneros, fiz questão de acompanhar e participar como avaliador. Tive de dedicar um bom tempo para ler os 40 contos e acabei dando um pausa aqui no Cyber Cultura. Mas valeu a pena acompanhar um evento importante para a formação de novos escritores e descobrir novos talentos nacionais.

Caros EntreContistas, Um dos desafios mais exigentes que já tivemos por estas bandas. Quarenta contos inscritos e apenas três desclassificados, abordando as diversas faces do universo punk, em suas versões cyber, steam, bio, glitter e… café. Haja criatividade e haja polêmica! Mais de 1600 comentários revelando toda a dedicação e paixão de nossos participantes. Muitos parabéns, como diz […]

via Resultados do Desafio X-Punk — EntreContos

Podcast Braincast: Por que rejeitamos ficção científica brasileira?

Quem se interessa por ficção científica já se deparou com esse tema em algum momento. A discussão é ampla, existem muitos fatores para serem levados em consideração em cada tipo de produção artística nacional. O estopim para esse debate foi a recente estreia do seriado 3%, a primeira produção nacional do gênero fantástico no Netflix.

A equipe do Braincast realizou uma abordagem tão grande quanto o assunto merecia, debatendo desde a quantidade de produções, a qualidade, o momento histórico e as influências culturais, tanto nos livros quanto nos filmes. Também comparam a formação de um grande mercado nacional de novelas e temas recorrentes a nossa cultura de apelo realista no cinema, descrevendo as dificuldades dos atores em se encaixar em padrões diferentes dos quais estão acostumados e a linguagem utilizada para compor cada um desses padrões.

Pode-se afirmar que o podcast apresenta um dos debates mais importantes da nossa era como consumidores, produtores e críticos de arte. Já está na hora de levar essa conversa para além das fronteiras dos preconceitos e esteriótipos.

Braincast 216 – Por que rejeitamos ficção científica brasileira?

Podcast Caixa de Histórias: Cultura da Interface

Criado por Paulo Carvalho, o Caixa de Histórias é um interessantíssimo podcast literário, que aborda os livros de maneira diferenciada, sempre realizando a leitura de um trecho da obra antes de comentar sobre ela. A experiência de Paulo como ator confere ao podcast uma qualidade excelente de seu trabalho.

No programa de nº 65, ele recebe Alexandre Maron (Diretor de Inovação Digital da Editora Globo) como convidado para discutirem sobre o livro Cultura da Interface, de Steve Johnson, um teórico da mídia, graduado em semiótica e literatura.

Lançado em 1997, Cultura da Interface nos apresenta uma análise ainda atual, onde as interfaces possibilitaram desenvolver maneiras diferentes de pensarmos e realizarmos tarefas, e como nossa cultura se integrou a tecnologia.

http://www.b9.com.br/67704/podcasts/caixadehistorias/caixa-de-historias-65-cultura-da-interface/

Erros – Parte IV

Entrando em mais um tópico, do qual o assunto é constantemente abordado em críticas literárias, o suposto falecimento do cyberpunk. Afinal, por que ele é tão discutido? Por que tantas pessoas parecem empenhadas em encontrar argumentos para enterrá-lo sob a produção literária? O que mudou na relação entre o público e os autores desde que o cyberpunk perdeu forças? Morto ou não, o que é cyberpunk atualmente?

Voltando a década de 90, o cyberpunk se difundia na cultura pop ao mesmo tempo que a Internet. Os livros que deram origem ao movimento inspiravam filmes, a forma mais acessível de entretenimento, ainda que dependêssemos de nos deslocar até os cinemas e vídeo locadoras. Como citei no post do filme Estranhos Prazeres (1995), no ano de seu lançamento, outros filmes que marcaram as produções americanas também entravam no circuito comercial. Tempos depois, eram reprisados constantemente nas noites da televisão aberta brasileira.

Após a virada do milênio (ou mesmo antes), o hype do cyberpunk já não era mais o mesmo. As discussões sobre as tecnologias virtuais deixavam de ter aquele encantamento de uma ficção e passava a ser algo do cotidiano. Computadores já eram ou se tornavam populares mesmo em países mais pobres. A telefonia móvel era o novo boom do consumismo e a rápida evolução de desempenho dos seus componentes, fornecia cada vez mais variedade de serviços.

Em O Passageiro do Futuro (1992), a realidade virtual e uso de certas drogas deram a um homem com deficiência intelectual, a capacidade de ter uma mente brilhante e poderes incríveis. Na vida real, uma tecnologia como essa nunca chegou a se cumprir. O deslumbramento da relação homem-computador, deixou de ser aquele mundo de possibilidades e aventuras no ciberespaço, e se tornou o que conhecemos hoje: apenas um eletroeletrônico como outro qualquer. Assim, escritores passaram a buscar na biotecnologia e nanotecnologia, elementos que cativassem o imaginário. Mas a atenção dos leitores aprenderam a superar a questão tecnológica, restando apenas a visão pessimista da atualidade, não por acaso, as distopias são o novo hype da literatura.

Tudo aconteceu muito rápido. O movimento mal tinha 20 anos e, na interpretação de nosso cotidiano, já sentíamos vivê-lo. Sendo assim, como tudo que se torna casual em nossas vidas, seu destaque como inovação se apagou das prateleiras das livrarias. Falar de algo que estava consideravelmente próximo de nossa geração, não parecia mais tão excitante. Um forte motivo para acreditar que o cyberpunk morreu desde então.

Mas o movimento cyberpunk era só isso? Acredito que não. A brevidade de sua abordagem tecnológica, pode ter criado uma confusão em quem acredita que isso por si só é capaz de definir gêneros da ficção especulativa. Mas a ficção nunca se tratou da prever o futuro. A ficção é uma forma literária de se abordar algum tema, seja no passado, presente ou futuro. O cyberpunk ainda é uma abordagem de nosso presente. A futurologia, por sua vez, é o que o famoso Ray Kurzweil faz: ensaios de não ficção sobre a tecnologia do futuro.

Se lá fora, tudo isso ocorreu muito rápido, aqui no Brasil, foi ainda mais acelerado. Neuromancer somente foi lançado por aqui em 1991, pela editora Aleph (espero não estar errado sobre isso). Ou seja, houve um menor tempo de reconhecimento das obras para leitores brasileiros, além de se tratar de um tipo de literatura que, de certa forma, é “somente” destinada ao fandom, por conta do baixo número de leitores no país.

Se leitores já eram poucos, o que dizer de escritores? Quem pesquisar por isso agora, vai encontrar uma quantidade muito pequena. Acredito (não tenho certeza) que Santa Clara Poltergeist (1990) tenha sido a primeira obra nacional com características cyberpunk. De lá pra cá, o cenário editorial se mostrou pouquíssimo aberto ao subgênero. Mesmo com o advento do e-book e a publicação virtual independente, o número continua baixíssimo.

Dessa forma, a impressão que temos é fortemente guiada pelo mercado. Mas isso não significa que a produção literária cyberpunk não exista mais. Ela sobrevive “marginalizada” na Amazon, Goodreads, etc; principalmente em língua inglesa. Também encontra vida sob diferentes formas, como música, cinema, seriados, animações e jogos. Mas e o ciclo das grandes editoras? Seria fundamental haver novos títulos largamente comercializados para se fazer notar. Nesse caso, o vencedor do prêmio Hugo Awards de 2003, o romance Carbono Alterado, de Richard K. Morgan, pode ser um dos últimos grandes exemplos. Notícias mais recentes confirmam sua adaptação para uma seriado.

E quanto aos escritores que produziam cyberpunk no início do movimento? A resposta para essa pergunta e diversas outras questões, podem ser encontradas no texto de Lídia Zuin para a revista Somnium, que aborda com muita objetividade a relação dos autores com o público atual. Resumindo: eles estão migrando para outros gêneros.

Por fim, toda essa interpretação sobre o cyberpunk na atualidade, o postcyberpunk, a tecnologia abordada, convergem para uma mesma direção: a sensação de que estamos vivendo-o agora. Mas isso já não acontecia desde a década de 80? Muitas ideias comuns que perambulam na literatura do gênero, já faziam parte da sociedade. Não foi o futuro que se tornou cyberpunk, a realidade desde aquela época já o era todo esse tempo.

Como já disse em outro parágrafo, o gênero influenciou diversas formas de arte além da literatura. Essa subcultura é o seu maior legado, pois transcendeu as páginas dos livros. Quando anunciaram sua morte, nada mais fizeram do que romantizar um simples fato: ele não é mais o produto desejado.

Infelizmente, para a grande mídia, o cyberpunk ressurgirá apenas em momentos específicos, quando uma obra ganhar seus 15 minutos de fama. Pude observar bem isso, quando anunciaram a produção do seriado do livro Carbono Alterado, diversas pessoas passaram a buscar pelo produto, que mal havia sido resenhado em sites brasileiros, e acabavam descobrindo mais informações sobre ele aqui no Cyber Cultura. Porém, como todo evento movido por grandes massas, o interesse é bastante superficial. Cerca de só 10% das pessoas se interessaram em ler a resenha sobre ele. Ou seja, saber um pouco sobre quem era o autor e a sinopse da obra bastou para a maioria.

Por fim, algo que percebo ser pouco discutido, é a baixa quantidade de clássicos publicados no Brasil. Esse argumento não é válido somente para um tipo de ficção especulativa, mas a todos. Isso só está começando a ser alterado recentemente. Um pequeno alívio para o fandom nacional. Talvez, se tantos autores que ajudaram a compor o movimento e, principalmente, aqueles que vieram antes com idéias geralmente chamadas de proto-cyberpunk, forem publicados por editoras grandes como a Aleph ou outras, esse conceito de “morte” pode ser interpretado de outra forma. Não se enterra uma geração de escritores e artistas, em vez disso, eles se tornam parte da história da cultura de uma geração.