Humans need not apply + Podcast Braincast: Você está sendo substituído por um robô

Explorando a relação entre trabalho e tecnologia, algo parece ser inevitável: as máquinas vão substituir a maioria das funções realizada por humanos. Esse é o tema do vídeo Humans need not apply, do canal CGP Grey.

De forma simples, somos apresentados a esse processo que já está ocorrendo e as diversas áreas afetadas. O vídeo realiza uma interessante síntese sobre a automação e a evolução do trabalho. Disponível com legenda em português:

Baseando-se nesse mesmo vídeo, a equipe do Braincast realizou um episódio dedicado a falar sobre essa relação do trabalho em frente a novas tecnologias e as mudanças que elas acarretam. Recomendo fortemente esse podcast pela expansão que realizam do assunto:

Braincast 190 – Você está sendo substituído por um robô

Construindo o Cyberpunk – Parte III

Inteligências artificiais são elementos frequentes na ficção especulativa, gerando boas discussões sobre as consequências de sua criação. No filme O Exterminador do Futuro (1984), a Skynet tem por objetivo destruir os humanos. Já nos livros de Asimov, a criação das Três Leis da Robótica visa possibilitar a coexistência de humanos e robôs inteligentes.

Para se moldar uma realidade [ainda] mais próxima do cyberpunk, seria necessário que a atual tecnologia desse um avanço em direção a essa área. Pois existe uma diferença entre as já existentes IAs e as imaginadas por diversos autores. Compreender o conceito de IA é fundamental para traçar um paralelo entre elas e encontrar o ingrediente que falta para vislumbrarmos máquinas inteligentes ao ponto de não conseguirmos diferenciá-las de humanos.

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Por definição, vale parafrasear a Wikipédia sobre o que é o campo da IA: “O estudo e projeto de agentes inteligentes, onde um agente inteligente é um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso”. Isso permite não limitar a ideia de IA a um nível demasiado sofisticado, a exemplo de nossa própria capacidade intelectual.

Atualmente, há pelo menos três tipos de inteligências artificiais que se destacam pela sua eficiência em realizar tarefas e pelo enorme uso dentro da área de pesquisas acadêmicas. São elas: redes neurais, algoritmos genéticos e lógica fuzzy (difusa).

Em suma, todas são técnicas que visam encontrar a melhor resposta para um determinado sistema. Sua praticidade tem tornado a busca de resultados incrivelmente mais fácil. Isso também ajuda a desenvolver as bases para compor um sistema de escolhas em máquinas futuras, através de modelos que são aperfeiçoados por elas.

Apesar disso, não temos nenhuma inteligência artificial geral, ou GAI (General Artificial Inteligence), que seria o ponto citado lá em cima que nos despertaria para um momento único. Uma inteligência capaz de realizar qualquer tarefa intelectual como um humano, inclusive raciocinar sobre si. A partir desse momento, os questionamentos sobre direitos, definição de vida, consciência e tudo mais, deixariam o mundo das teorias para se confrontar com uma nova realidade.

Dentro desse quadro, é importante lembrar que nosso apego a forma física deverá ser esquecido para tal discussão. Pois o processamento de dados que permitirá esse tipo de inteligência não requer formas, tampouco que sejam humanoides. Isso apenas ocuparia capacidade de processamento para manter-se em equilíbrio, deslocar-se, gesticular, etc…

Seres inteligentes artificiais nos agregariam diariamente com um grande auxílio no ambiente virtual. Assistentes como a Cortana e Google Now já procuram fazer isso, mas não dá para comparar suas limitações diante da sofisticação de Wintermute, do livro Neuromancer (1984). A tendência é que a diferença entre esses dois tipos inteligências diminua nos próximos anos, tudo graças a pesquisas nos mais diversos ramos da IA. Em algum momento, apontam alguns teóricos, que chegaremos a Singularidade Tecnológica, um evento de enorme avanço tecnológico em um curto espaço de tempo. Onde IAs superariam a inteligência humana.

É exatamente aí que mora a dúvida sobre o comportamento de seres mais inteligentes do que nós. Sabemos que seres (animais) com senciência e com algum grau de inteligência, nem sempre são tratados com dignidade, pois nos colocamos como uma espécie superior e transformamos a natureza a nosso bel prazer. Então, numa situação da qual já não podemos nos declarar superiores em relação a seres artificiais, que são capazes de eleger suas próprias escolhas e desprovidos de empatia por nossa espécie, qual tipo de tratamento nos dariam? O resultado é imprevisível e isso é assustador!

O cyberpunk é um ótimo subgênero para explorar a reação artificial, humana e pós-humana diante dum evento de Singularidade Tecnológica. A integração da tecnologia no cotidiano é apenas a ponta de um grande iceberg de um futuro próximo. E além dele, existe outra teoria que nos cabe questionar, a Super Inteligência. Esse termo popularizado por Nick Bostrom (filósofo da Universidade de Oxford, cuja obra sobre o tema entrou para lista de best sellers do New York Times em 2014), tenta nos dar uma visão de uma inteligência tão exponencialmente maior do que a nossa, que trataria de conceitos que somos incapazes de compreender. Uma ilustração comum dentro desse tema, é a comparação de nosso intelecto com o de um inseto. É impossível que ele entenda nossa comunicação e ciências, assim como nos será impossível compreender os avançados conhecimentos de uma Super Inteligência.

Talvez, um desafio para os transhumanistas será justamente equiparar essa evolução, permitindo melhorar nossas capacidades através de muita neurociência e tecnologias de armazenamento e processamento de dados integradas a nossa biologia.

Voltando ao cyberpunk, é provável que não demore muito tempo para alcançarmos o degrau que tem nos separado das IAs de suas tramas. As atuais são boas ferramentas e estão sendo usadas em baixo de nossos narizes (se você duvida, ouça os podcasts que indicarei no próximo post). As abordagens tecnológicas do cyberpunk e outros gêneros da FC, nos fazem refletir sobre nosso presente e futuro, discutindo possibilidades e nos preparando para lidar com essas situações.

#Ilustração: Long Ouyang

A arte de Long Ouyang, um talentoso neozelandês, parece ter um pé dentro de mundos distópicos. Ele realiza trabalhos conceituais para jogos e filmes, utilizando da computação gráfica para criar belos cenários, personagens, armas, veículos, etc.

Suas criações são representações de mundos fantásticos, com incríveis imagens de futuros, mecanizações, militarismo e fantasia. Vale a pena dedicar um tempo admirando os detalhes de seus traços.

DeviantArt: http://0800.deviantart.com/

Tumblr: http://long0800.tumblr.com/

Novos mapas da Pós-Humanidade: a ideia de personalidades ciberneticamente compartilhadas em Emissaries From The Dead e Embassytown

Indo além da tradicional concepção de pós-humano, o autor Fábio Fernandes investiga outras facetas dessa condição tecnologicamente evoluída, deixando de lado os implantes físicos e se voltando a linguagem e a comunicação dentro do imaginário da ficção especulativa. Para isso, ele utiliza de exemplo os livros Embassytown (2011), de China Miéville, e Emissaries From The Dead (2008), de Adam-Troy Castro.

O artigo escrito para a Revista Z Cultural é, além de estudo sobre a comunicação, um belo olhar sobre a ficção especulativa contemporânea. A facilidade com que o autor mescla os temas, se dá pela sua formação e atuação profissional. Graduado em Comunicação (Faculdades Integradas Hélio Alonso), mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e pós-doutorado na ECA-USP, Fábio também é escritor, tradutor, professor e pesquisador. Vale destacar sua contribuição como tradutor, sendo responsável pelas obras de William Gibson, Neal Stephenson, Philip K. Dick e muitos outros.

http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/novos-mapas-da-pos-humanidade-a-ideia-de-personalidades-ciberneticamente-compartilhadas-em-emissaries-from-the-dead-e-embassytown/

Podcast Caixa de Histórias: Cultura da Interface

Criado por Paulo Carvalho, o Caixa de Histórias é um interessantíssimo podcast literário, que aborda os livros de maneira diferenciada, sempre realizando a leitura de um trecho da obra antes de comentar sobre ela. A experiência de Paulo como ator confere ao podcast uma qualidade excelente de seu trabalho.

No programa de nº 65, ele recebe Alexandre Maron (Diretor de Inovação Digital da Editora Globo) como convidado para discutirem sobre o livro Cultura da Interface, de Steve Johnson, um teórico da mídia, graduado em semiótica e literatura.

Lançado em 1997, Cultura da Interface nos apresenta uma análise ainda atual, onde as interfaces possibilitaram desenvolver maneiras diferentes de pensarmos e realizarmos tarefas, e como nossa cultura se integrou a tecnologia.

http://www.b9.com.br/67704/podcasts/caixadehistorias/caixa-de-historias-65-cultura-da-interface/

A Moda Cyberpunk

Desde o post sobre a Dafiti, que estive pensando em falar sobre o vestuário cyberpunk de maneira que fizesse algum sentido. O problema era meu desapego a questões de moda, que sempre me fazia adiar o assunto. Então, após algum tempo pesquisando nas comunidades online, juntei algum material que o público reconhecesse como tal.

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Estampa com o rosto de Rachael, de Blade Runner (1982)

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Infográfico de um futuro presente

A Infobase Interativa, uma grande empresa o mercado de TI, preparou um infográfico sobre 8 tecnologias que ficarão mais acessíveis até 2020. Quando se trata de certa obviedade daquilo que é chamado futurologia, dizer que qualquer tecnologia já existente ficará mais acessível no dia seguinte, ou daqui a 50 anos, é redundância. Por isso sempre questiono esse tipo de informação. Mas o que mais chamou minha atenção, é o otimismo retratado: um intervalo de tempo de apenas 4 anos. Pouco tempo, considerando os obstáculos que algumas dessas tecnologias terão de atravessar até se popularizarem ou se tornarem acessíveis de fato.

Analisando as 8 tecnologias citadas, vemos quais suas aplicações para esse futuro próximo:

  • Inteligência Artificial: o texto nos diz sobre o envolvimento delas com dispositivos móveis e aplicabilidade em alguns setores. A inteligência artificial aplicada está mais acessível do que se imagina. A integração dela com as áreas descritas em apenas 4 anos, seria um grande avanço de seu uso fora das pesquisas acadêmicas;
  • Bitcoins e Blockchain: ainda não sou um entusiasta das moedas virtuais, muito ouço sobre seu potencial, mas seu futuro é tão incerto, que é impossível saber se elas irão engrenar. Não é a toa que poucas empresas aceitam pagamentos em bitcoin;
  • Impressora 3D: esse é o item mais presente na atualidade, nem sei porque está na lista, de tão acessível que já se tornou;
  • Carros Autônomos: a informação está perdida no infográfico. Se a previsão de lançamento é em 2020 e a de popularização em 2025, não fará parte do cotidiano de muitas pessoas tão cedo;
  • Robótica: segue um caráter óbvio de práticas que estão acontecendo há décadas;
  • Realidade Virtual e Realidade Aumentada: após a quantidade de notícias sobre ambas tecnologias no ano de 2015, é difícil não crer em seu poder. A realidade aumentada provavelmente levará algum tempo maior. Enquanto a virtual, já está passando pelo processo que irá determinar sua aceitação no mercado;
  • Biotecnologia: nenhuma novidade a vista!;
  • IoT: há duas versões para o futuro da Internet of Things. A primeira, ela causa uma mudança nos meios de produção e se populariza entre os usuários. A segunda, ela falha, se tornando apenas uma buzzword. Isso, devido aos problemas não resolvidos com a determinação de padrões para seu funcionamento. É difícil acreditar que algo capaz de facilitar diversos processos, desapareça dessa maneira. Espero que a previsão se cumpra, isso causaria uma mudança interessante no cotidiano das pessoas, assim como foi com a Internet.