Dossiê whitewashing: Ghost In The Shell

Passado mais de uma mês após a estreia da adaptação americana de Ghost In The Shell, o calor da discussão finalmente abaixou. Mas afinal, foi ou não foi whitewashing?

Por definição, whitewashing é uma prática da indústria cinematográfica em que atores brancos são escalados para papéis racialmente diferentes ou de etnia estrangeira. O cinema americano realiza isso há tempos e essa lista da Wikipedia pode dar uma ideia de quão comum isso é:

https://en.wikipedia.org/wiki/Whitewashing_in_film#List_of_films

Durante a produção de Ghost In The Shell, muito se especulou sobre o “embranquecimento” de Motoko Kusanagi. Houve até um boato sobre alterar digitalmente o rosto de Scarlett Johansson, para que ela ficasse com traços asiáticos. A desaprovação de parte do público ganhou notoriedade nas redes sociais e uma petição virtual conseguiu reunir mais de 105 mil assinaturas para que a atriz fosse substituída.

Reuni alguns argumentos de ambos lados para expor melhor a situação:

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Podcast Anticast: Pós-Verdade

Um podcast tão intrincado quanto a discussão sobre esse conceito que entrou em voga no final do ano de 2016, a pós-verdade.

Sempre tento estabelecer relações entre possíveis áreas do pensamento com questões abordadas na ficção científica. Pensando nisso, acredito ser de interesse aos fãs do gênero que gostam de uma reflexão mais profunda, um estudo sobre como a pós-verdade se relaciona com a tecnologia de nosso presente, com o comportamento social e as consequências de nos conectarmos diariamente as redes sociais.

Nesse contexto, o cyberpunk pode muito bem representar essa questão comunicativa: entre quantidades imensas de informações questionáveis, a busca pela verdade se confunde em meio a opiniões, movimentando dados virtuais que alimentam diariamente nossos dispositivos tecnológicos, enquanto sites divulgam conteúdo falso apenas para lucrar com publicidade. Esse é o belo resultado de nossa distopia cotidiana.

AntiCast 264 – A Pós-Verdade

Construindo o Cyberpunk – Parte III

Inteligências artificiais são elementos frequentes na ficção especulativa, gerando boas discussões sobre as consequências de sua criação. No filme O Exterminador do Futuro (1984), a Skynet tem por objetivo destruir os humanos. Já nos livros de Asimov, a criação das Três Leis da Robótica visa possibilitar a coexistência de humanos e robôs inteligentes.

Para se moldar uma realidade [ainda] mais próxima do cyberpunk, seria necessário que a atual tecnologia desse um avanço em direção a essa área. Pois existe uma diferença entre as já existentes IAs e as imaginadas por diversos autores. Compreender o conceito de IA é fundamental para traçar um paralelo entre elas e encontrar o ingrediente que falta para vislumbrarmos máquinas inteligentes ao ponto de não conseguirmos diferenciá-las de humanos.

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Por definição, vale parafrasear a Wikipédia sobre o que é o campo da IA: “O estudo e projeto de agentes inteligentes, onde um agente inteligente é um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso”. Isso permite não limitar a ideia de IA a um nível demasiado sofisticado, a exemplo de nossa própria capacidade intelectual.

Atualmente, há pelo menos três tipos de inteligências artificiais que se destacam pela sua eficiência em realizar tarefas e pelo enorme uso dentro da área de pesquisas acadêmicas. São elas: redes neurais, algoritmos genéticos e lógica fuzzy (difusa).

Em suma, todas são técnicas que visam encontrar a melhor resposta para um determinado sistema. Sua praticidade tem tornado a busca de resultados incrivelmente mais fácil. Isso também ajuda a desenvolver as bases para compor um sistema de escolhas em máquinas futuras, através de modelos que são aperfeiçoados por elas.

Apesar disso, não temos nenhuma inteligência artificial geral, ou GAI (General Artificial Inteligence), que seria o ponto citado lá em cima que nos despertaria para um momento único. Uma inteligência capaz de realizar qualquer tarefa intelectual como um humano, inclusive raciocinar sobre si. A partir desse momento, os questionamentos sobre direitos, definição de vida, consciência e tudo mais, deixariam o mundo das teorias para se confrontar com uma nova realidade.

Dentro desse quadro, é importante lembrar que nosso apego a forma física deverá ser esquecido para tal discussão. Pois o processamento de dados que permitirá esse tipo de inteligência não requer formas, tampouco que sejam humanoides. Isso apenas ocuparia capacidade de processamento para manter-se em equilíbrio, deslocar-se, gesticular, etc…

Seres inteligentes artificiais nos agregariam diariamente com um grande auxílio no ambiente virtual. Assistentes como a Cortana e Google Now já procuram fazer isso, mas não dá para comparar suas limitações diante da sofisticação de Wintermute, do livro Neuromancer (1984). A tendência é que a diferença entre esses dois tipos inteligências diminua nos próximos anos, tudo graças a pesquisas nos mais diversos ramos da IA. Em algum momento, apontam alguns teóricos, que chegaremos a Singularidade Tecnológica, um evento de enorme avanço tecnológico em um curto espaço de tempo. Onde IAs superariam a inteligência humana.

É exatamente aí que mora a dúvida sobre o comportamento de seres mais inteligentes do que nós. Sabemos que seres (animais) com senciência e com algum grau de inteligência, nem sempre são tratados com dignidade, pois nos colocamos como uma espécie superior e transformamos a natureza a nosso bel prazer. Então, numa situação da qual já não podemos nos declarar superiores em relação a seres artificiais, que são capazes de eleger suas próprias escolhas e desprovidos de empatia por nossa espécie, qual tipo de tratamento nos dariam? O resultado é imprevisível e isso é assustador!

O cyberpunk é um ótimo subgênero para explorar a reação artificial, humana e pós-humana diante dum evento de Singularidade Tecnológica. A integração da tecnologia no cotidiano é apenas a ponta de um grande iceberg de um futuro próximo. E além dele, existe outra teoria que nos cabe questionar, a Super Inteligência. Esse termo popularizado por Nick Bostrom (filósofo da Universidade de Oxford, cuja obra sobre o tema entrou para lista de best sellers do New York Times em 2014), tenta nos dar uma visão de uma inteligência tão exponencialmente maior do que a nossa, que trataria de conceitos que somos incapazes de compreender. Uma ilustração comum dentro desse tema, é a comparação de nosso intelecto com o de um inseto. É impossível que ele entenda nossa comunicação e ciências, assim como nos será impossível compreender os avançados conhecimentos de uma Super Inteligência.

Talvez, um desafio para os transhumanistas será justamente equiparar essa evolução, permitindo melhorar nossas capacidades através de muita neurociência e tecnologias de armazenamento e processamento de dados integradas a nossa biologia.

Voltando ao cyberpunk, é provável que não demore muito tempo para alcançarmos o degrau que tem nos separado das IAs de suas tramas. As atuais são boas ferramentas e estão sendo usadas em baixo de nossos narizes (se você duvida, ouça os podcasts que indicarei no próximo post). As abordagens tecnológicas do cyberpunk e outros gêneros da FC, nos fazem refletir sobre nosso presente e futuro, discutindo possibilidades e nos preparando para lidar com essas situações.

O Designer Cyberpunk

Marcos Beccari é um profissional da área de design. Mestre em Design e doutor em Educação. Além disso, é também, um comunicador. Através do podcast AntiCast, do qual é colaborador, conheci seu site Filosofia do Design, que busca promover um diálogo entre o campo do design e a tradição filosófica. Essa busca me causou uma identificação instantânea, pois foi com essa intenção que comecei a postar material voltado ao cyberpunk, já que, entre todos os subgêneros da ficção científica, é o que contém a maior representação do comportamento humano e mais abre espaço para debates.

Em um de seus textos ao site Filosofia do Design, Beccari aborda a relação da ficção científica e o design. Esse material me surpreendeu positivamente, pois como um simples fã, nunca imaginei que, além dos aspectos sociais, tecnológicos e filosóficos, o cyberpunk e a ficção científica pudessem ter aspectos voltados a área do design. Confira o texto de Marcos Beccari:

http://filosofiadodesign.com/filosofia-do-design-parte-xlvi-o-designer-cyberpunk/

Humanity+

A Humanity+ é uma organização educacional não lucrativa, assim como o Extropy Institute. Fundada em 1998 com o nome de World Transhumanist Association (WTA). Lançaram em 2006, um programa de atividades: uma campanha para modificar as leis nacionais e internacionais de direitos humanos, envolvendo diversas áreas. Em 2008, a WTA muda de nome e passa a se chamar Humanity+.

Ela tem como objetivo incentivar a discussão e conscientização sobre tecnologias emergentes; defender os direitos individuais em sociedades democráticas sobre a expansão das capacidades humanas; antecipar e propor soluções para os problemas futuros que envolvam novas tecnologias e incentivar a produção de tecnologias que se mostrem benéficas.

É possível obter mais informações, acompanhar os projetos (até mesmo se voluntariar para participar deles), ter acesso a publicações, a filosofia por trás da ideologia transhumanista, acompanhar as novidades, se inscrever na organização, entre outras coisas, através de seu site (em inglês, é claro).

http://humanityplus.org/

Em 2008, a Humanity+ iniciou a publicação de uma revista, a H+ Magazine. A partir de 2010, suas edições passaram a ser lançadas apenas na Web. Todo o conteúdo da H+ Magazine pode ser acompanhado online e suas versões impressas estão disponíveis gratuitamente em formato pdf no site:

http://hplusmagazine.com/

http://hplusmagazine.com/magazine/

Singularity Weblog

Essa é mais uma indicação de site. O Singularity Weblog é uma iniciativa de Nikola Danaylov, o maior blog independente que aborda temas de tecnologia, ciborguismo, biologia sintética, extensão de vida, criogenia, transhumanismo, singularidade tecnológica, inteligência artificial, ciências, filosofia e quaisquer outros temas relacionados ao futuro e suas implicações tecnológicas nos campos das ciências políticas, éticas, morais e religiosas.

Os grandes destaques do Singularity Weblog são as entrevistas e podcasts realizadas por Nicola Danaylov com diversos convidados das mais variadas áreas, além dos artigos sobre os temas abordados no site. É claro que o site é em inglês.

https://www.singularityweblog.com/

Extropia: um produto radical do Transhumanismo

Extropia é um termo utilizado na literatura acadêmica, que foi concebido para ser antônimo de entropia. Em definição dada por Max Moore, “a extensão da inteligência, ordem funcional, vitalidade, energia, vida, experiência e capacidade e motivação por crescimento e melhoramento de um sistema vivo ou organizacional”.

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Símbolo da extropia.

O Extropianismo, a filosofia da extropia, pode ser brevemente explicada nesse site. Se trata de um tipo de Transhumanismo. Seus conceitos estão relacionados ao “Super-Homem” nietzschiano (Übermensch), onde se deve superar os valores humanos. Os extropianos tem uma ideia otimista de futuro, anseiam progressos tecnológicos capazes de nos dar a imortalidade. Também creem que a vida baseada no carbono é como um hardware ultrapassado, portanto necessitamos encontrar um novo tipo, melhor e capaz de resistir ao tempo. Continuar lendo

Transhumanismo: as máquinas para o bem do homem

As aplicações tecnológicas parecem não conter mais barreiras, para tudo utilizamos ferramentas tecnológicas e a cada dia elas se tornam mais sofisticadas. O Transhumanismo (ou transumanismo, ou ainda trans-humanismo) é uma corrente filosófica também considerada como uma filosofia emergente ou então, ideologia futurista. O seu objetivo é estudar e compreender as consequências do uso tecnológico afim de superar as limitações humanas.

Símbolo do Transhumanismo

Símbolo do Transhumanismo.

Alguns temas são recorrentes no Transhumanismo, como: imortalidade, singularidade tecnológica, inteligência artificial, implicações éticas, biotecnologia, nanotecnologia, espiritualismo, modificação corporal e realidade simulada. De certa forma, é possível dizer que o Transhumanismo é o estudo consciente capaz de preparar a humanidade para tecnologias futuras, prezando o aprimoramento humano intelectual, físico, espiritual e psicológico.

Homem-Máquina ou Homem e Máquina?

Separei um texto publicado na revista Filosofia de João Lourenço de Araújo Fabiano. Jornalista e licenciando em Filosofia na USP, é membro fundador do Grupo de Filosofia Analítica da USP. No seu texto, ele aborda a questão do Transhumanismo de forma de fácil compreensão.

Link: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/43/artigo162084-1.asp