Nova edição da revista de ficção científica gratuita Somnium

A edição de número 113 da Somnium traz um artigo sobre transhumanismo e diversos contos de ficção científica!

Blog do Palhão

Olá, pessoal!

Estou passando para indicar a revista do Clube dos Leitores de Ficção Científica (CLFC), do qual sou membro.

Para baixar gratuitamente a edição 113 da Somnium, clique no link a seguir:

http://clfc.com.br/Somnium113.pdf

E boa leitura!

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#Curta: Archetype

A maioria das curtas de ficção científica que assisto não passam do clássico embate Homem Vs Máquina. Archetype consegue ir um pouco além. Após a cena inicial, somos surpreendidos com um homem interrogando uma unidade robótica de combate. É de se estranhar uma cena dessas, afinal bastaria checar a programação do robô, ao invés de tratá-lo como um humano em uma sala, sentado numa cadeira enquanto esclarece os fatos.

Quando é revelado que o interrogatório se trata de uma simulação virtual, a curta já caminha para o seu desfecho, explicando o porque da humanização da unidade de combate.

O diretor, Aaron Sims, mais conhecido por sua arte conceitual, é outro caso de um profissional já inserido no meio cinematográfico hollywoodiano, tentando produzir suas próprias ideias. Seu nome está creditado em tantas produções famosas, que seu IMDB fala por si. Por isso, não é de se espantar que os direitos da obra foram comprados pela Fox Studios. Entretanto, desde 2012 o projeto parece estar engavetado…

As atuações e os efeitos especiais são convincentes. Recomendo assistir aos créditos finais em tela cheia, pois diversas ilustrações e animações são exibidas, nos fazendo imaginar mais daquele mundo sombrio que não apareceu nas filmagens.

Cyber Brasiliana

Sinospe:
Em uma realidade alternativa, que se desenvolve em um universo pós-cyberpunk, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul – a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida. Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.

Cyber Brasiliana

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Ficção Científica Brasileira

Criado especialmente para falar sobre a FC nacional, o blog Ficção Científica Brasileira é o resultado de uma colaboração de resenhistas, autores e editores que antes de mais nada, são amantes do gênero e reconhecem o valor da produção feita por nossos artistas.

Para os amantes de FC, é um canal essencial de informações. Vale a pena acompanhar as resenhas e opiniões.

https://ficcaocientificabrasileira.wordpress.com/

Pokémon Cyberpunk – Parte II

Em 2004, era exibido no Japão, o episódio de nº 341 de Pokémon, que já estava em sua 7ª temporada. Ainda que não apresente tantos elementos cyberpunks quanto os descritos na Parte I, o episódio Gulpin it Down! (The Great Gokulin Repelling Strategy!!) tem bastante influência da ficção científica japonesa.

No Brasil, o título foi traduzido simplesmente como “Os Gulpins”. E nele, acompanhamos a jornada de Ash e seus amigos, que se deparam com uma horda de Pokémons que ameaçam consumir todos os suprimentos da cidade.

pokemon-cyberpunk-2

Ash e seus amigos observando o raio de partículas subatômicas em ação.

Para combater a invasão de Gulpins, o Professor Jacuzzi utiliza de uma isca presa a uma espécie de drone para desviar a rota dos Pokémons, mas isso acaba não sendo suficiente. Então, após um pouco de batalha, Jacuzzi retorna com mais uma surpresa. É aí que entra a ficção científica!

Armado com alta tecnologia, ele emite um raio de partículas subatômicas, capaz de absorver a matéria e utilizar dos poderes dos Gulpins, para armazená-los virtualmente e em seguida, arremessá-los por um canhão à velocidade de Mach 3 (3704,4 km/h).

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Por mais que seja absurdo, é um uso eficiente da tecnologia, pois aproveita dos movimentos do Pokémon para realizar todo o trabalho. Mas algo dá errado quando as partículas reagem de forma inesperada, tornando dois Pokémons em seres gigantes, em clara homenagem ao cinema japonês! Então, aquela cena que todos conhecemos de nossas infâncias, é realizada em meio aos prédios da cidade.

Em sintonia com nosso tempo, nada mais cyberpunk do que usar de tecnologias para dispersar multidões. Em Akira (1988), temos uma cena de cerco policial, algo bastante comum para representar opressão a populares, comparem:

pokemon-akira

Visualmente, temos o Professor Jacuzzi atuando no centro de comando de seu caminhão. Para essa cena de ação tecnológica, ele coloca um acessório bastante conhecido no cyberpunk: o óculos escuro. Mais uma vez, algo me lembrou de Akira:

pokemon-cyberpunk

Com uma batalha de Pokémons gigantes, não da para evitar de pensar novamente em Akira… Pois é, são semelhanças demais. Porém, não passa de uma mera coincidência, pois é uma homenagem óbvia a Godzilla. Mesmo que Pokémon provavelmente não satisfaça o público cyberpunk, ele conseguiu fazer uma bela homenagem a ficção científica japonesa.

Outra cena interessante do episódio, onde também cabe uma comparação, é o acompanhamento da movimentação dos Gulpins. Assim como em Ghost In The Shell, temos alguém operando diante de um computador o tempo todo:

pokemon-ghost-in-the-shell

O futuro do presente no pretérito: A ficção científica brasileira e a relação do país com a ciência e a tecnologia

Pesquisando sobre os impactos que a ditadura militar teria causado na produção nacional de ficção especulativa, o colega Fábio Fernandes me indicou uma obra de Mary Elizabeth Ginway, uma americana professora de português e literatura brasileira da Universidade da Flórida.

resenha feita por Antônio Luiz M C Costa no site do Skoob, explica um pouco da relação de Ginway com nossa produção literária ficcional. Como ainda não tive a oportunidade de ler o livro, Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro, encontrei mais informações sobre ele através de um artigo publicado na revista FAPESP.

O autor, Carlos Haag, aborda os contextos sociais e tecnológicos da produção de ficção científica nacional. Para isso, ele se apoia diversas vezes na pesquisa feita por Ginway. Passando desde a primeira publicação nacional do gênero, até o cyberpunk surgido após a ditadura militar.

O artigo pode ser lido diretamente no site da FAPESP:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/06/23/o-futuro-do-presente-no-pret%C3%A9rito/

Ou em formato de revista, pelo .pdf:

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/078-083-184.pdf?8d2b69

 

Podcast Braincast: Por que rejeitamos ficção científica brasileira?

Quem se interessa por ficção científica já se deparou com esse tema em algum momento. A discussão é ampla, existem muitos fatores para serem levados em consideração em cada tipo de produção artística nacional. O estopim para esse debate foi a recente estreia do seriado 3%, a primeira produção nacional do gênero fantástico no Netflix.

A equipe do Braincast realizou uma abordagem tão grande quanto o assunto merecia, debatendo desde a quantidade de produções, a qualidade, o momento histórico e as influências culturais, tanto nos livros quanto nos filmes. Também comparam a formação de um grande mercado nacional de novelas e temas recorrentes a nossa cultura de apelo realista no cinema, descrevendo as dificuldades dos atores em se encaixar em padrões diferentes dos quais estão acostumados e a linguagem utilizada para compor cada um desses padrões.

Pode-se afirmar que o podcast apresenta um dos debates mais importantes da nossa era como consumidores, produtores e críticos de arte. Já está na hora de levar essa conversa para além das fronteiras dos preconceitos e esteriótipos.

Braincast 216 – Por que rejeitamos ficção científica brasileira?

Novos mapas da Pós-Humanidade: a ideia de personalidades ciberneticamente compartilhadas em Emissaries From The Dead e Embassytown

Indo além da tradicional concepção de pós-humano, o autor Fábio Fernandes investiga outras facetas dessa condição tecnologicamente evoluída, deixando de lado os implantes físicos e se voltando a linguagem e a comunicação dentro do imaginário da ficção especulativa. Para isso, ele utiliza de exemplo os livros Embassytown (2011), de China Miéville, e Emissaries From The Dead (2008), de Adam-Troy Castro.

O artigo escrito para a Revista Z Cultural é, além de estudo sobre a comunicação, um belo olhar sobre a ficção especulativa contemporânea. A facilidade com que o autor mescla os temas, se dá pela sua formação e atuação profissional. Graduado em Comunicação (Faculdades Integradas Hélio Alonso), mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e pós-doutorado na ECA-USP, Fábio também é escritor, tradutor, professor e pesquisador. Vale destacar sua contribuição como tradutor, sendo responsável pelas obras de William Gibson, Neal Stephenson, Philip K. Dick e muitos outros.

http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/novos-mapas-da-pos-humanidade-a-ideia-de-personalidades-ciberneticamente-compartilhadas-em-emissaries-from-the-dead-e-embassytown/