#Curta: Perspective

Com um título muito bem pensado – e não digo isso apenas pelo uso da câmera -, Perspective (2011) é uma curta-metragem dirigida por Mehmet Can Kocak, que também aparece em cena.

Como um tributo declarado ao cyberpunk, Perspective conta com a presença de elementos comum ao subgênero, como: o deck, a conexão neural e o ciberespaço. A trama é simples, um usuário em busca de diversão sexual em realidade virtual. O final faz uma referência as origens do termo bug na eletrônica.

A trilha sonora segue a tendência retrô da synthwave, como a maioria dos produtos culturais que tem usado a visão oitentista para compor uma atmosfera cyberpunk.

Ou assista pelo Vimeo:

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#Curta: Sync

A cada 15 segundos, um computador, rede ou dispositivo móvel é pirateado por ciberterroristas. Para combater esse problema, a Syntek Industries fabricou entregadores de dados projetados a partir de avançadas máquinas robóticas. Esses entregadores são conhecidos como SYNCS. Os Syncs estão programados para fornecer pacotes de dados de forma segura sem interrupção.

A proposta de Sycn não é inovadora. Na verdade, é bem parecida com Johnny Mnemonic (1995). Trocam-se alguns detalhes aqui e ali, mas o entregador de dados sigilosos está lá.

Dirigida por Hasraf ‘Haz’ Dulull, muito conhecido por seus efeitos visuais, a curta foi custeada por um crowdfunding no Indiegogo e lançada em 2014. A produção é consideravelmente boa, deixando a desejar apenas em alguns detalhes. Os mais notáveis, são: a tremulação da câmera em momentos que não temos exatamente uma cena de ação, ou que exigisse tal recurso. O tiroteio artificial, que parece ter sido o maior desafio da direção. E o ator no papel de investigador que não tem uma atuação proporcional a importância de seu personagem.

A trilha sonora confirma a tendência de um estilo eletrônico que vem sendo adotado na FC, iniciado pelo Daft Punk em Tron: O Legado (2010), uma pena ela ser tão breve.

Também é possível assistir ao Making Off da produção pelo Vimeo.

#Curta: Man In Phone

Imagine acordar dentro de seu smartphone. Essa é a premissa de Man In Phone (2016), a curta metragem dirigida por Mackenzie Sheppard.

De maneira inexplicável, um homem japonês acorda preso dentro de seu smartphone. Transportado para essa outra realidade, ele apenas consegue observar o mundo exterior por de trás da tela, incapaz de se comunicar. A situação, então, o faz confrontar o estrago que o vício tecnológico causou a sua vida.

A produção japonesa consegue surpreender em vários aspectos. A começar pela solução simples de como representar o homem enclausurado, fazendo um bom uso da câmera, do jogo de luzes e explorando o espaço ao redor do smartphone. Mas o principal fator é a crível atuação de desespero do sujeito a observar tudo por de trás de uma tela. Os efeitos especiais são de boa qualidade, assim como os sonoros. Em dado momento apresentam um ciberespaço com uma estética até parecida com o que imaginávamos a algumas décadas, mas com ícones de aplicativos como são usados hoje.

Talvez o mais incrível de Man In Phone sejam as reflexões que ele proporciona em seus menos de oito minutos, além de um desfecho na medida do necessário.

Ou assista pelo Vimeo:

The Wolf & The Hunt Continues

Com a popularidade do seriado Mr Robot, a HP aproveitou para produzir The Wolf, seu branded content sobre cibersegurança com o ator Christian Slater. (Obs.: Branded Content trata-se de um conteúdo de entretenimento produzido por empresas)

Em apenas 6 minutos, Slater nos introduz ao mundo invisível das brechas de segurança dentro do ambiente de trabalho. A partir de uma simples impressora sem proteção contra malwares, companhias inteiras podem ser invadidas por hackers.

A recepção foi tão boa (até o momento, vista por mais de 2 milhões de pessoas no YouTube), que uma sequência foi realizada sobre o nome The Wolf: The Hunt Continues. Dessa vez, ainda mais parecido com Mr Robot (note a semelhança da trilha sonora), Slater altera dados médicos para mostrar como podemos ser facilmente manipulados.

O mais interessante dessas curta metragens é que a atmosfera do seriado Mr Robot foi “copiada” pela produção da HP, o que consegue distrair o espectador do fato que The Wolf é um merchandising de uma empresa interessada em vender produtos da área de informática. Repare nas observações irônicas feitas por Slater, como se fosse apenas mais um episódio de Mr Robot, e divirta-se com o conteúdo de primeira qualidade (há legendas disponíveis em português, basta ativá-las):

The Wolf

The Wolf: The Hunt Continues

 

#Curta: Archetype

A maioria das curtas de ficção científica que assisto não passam do clássico embate Homem Vs Máquina. Archetype consegue ir um pouco além. Após a cena inicial, somos surpreendidos com um homem interrogando uma unidade robótica de combate. É de se estranhar uma cena dessas, afinal bastaria checar a programação do robô, ao invés de tratá-lo como um humano em uma sala, sentado numa cadeira enquanto esclarece os fatos.

Quando é revelado que o interrogatório se trata de uma simulação virtual, a curta já caminha para o seu desfecho, explicando o porque da humanização da unidade de combate.

O diretor, Aaron Sims, mais conhecido por sua arte conceitual, é outro caso de um profissional já inserido no meio cinematográfico hollywoodiano, tentando produzir suas próprias ideias. Seu nome está creditado em tantas produções famosas, que seu IMDB fala por si. Por isso, não é de se espantar que os direitos da obra foram comprados pela Fox Studios. Entretanto, desde 2012 o projeto parece estar engavetado…

As atuações e os efeitos especiais são convincentes. Recomendo assistir aos créditos finais em tela cheia, pois diversas ilustrações e animações são exibidas, nos fazendo imaginar mais daquele mundo sombrio que não apareceu nas filmagens.

College Humor – The Matrix

O College Humor, um grupo americano que faz conteúdo humorístico online desde 1999, já parodiou a cultura pop de diferentes formas. Dentro do universo cyberpunk, a franquia The Matrix já foi duas vezes parte da ambientação para tratar dos mesmos assuntos: computação, internet e cibercultura.

Em Matrix Runs on Windows XP, que foi ao ar em 2008, cenas do filme The Matrix foram refeitas e adaptadas para satirizar o produto da Microsoft. Os elementos de computação estão em todo parte, se misturando a trama, causando aquelas risadas involuntárias para quem já foi usuário desse sistema operacional. O vídeo só não é mais satírico, por não ter escolhido rodar a Matrix no Windows Vista. Infelizmente, só há legendas transcritas automaticamente e elas não são muito precisas, mas os diálogos são fáceis de entender. Para os ex-usuários, imagens já são o suficiente.

Em The Terrifying Cost of “Free” Websites, vemos uma crítica muito mais elaborada, mas com um tom de humor muito menor. Abordando a questão de cibersegurança e da utilização dos dados dos usuários, estamos diante de uma fértil temática cyberpunk. Nesse vídeo, também temos um uso de efeitos especiais de maior qualidade, afinal, ele foi gravado em 2016. As referências a saga The Matrix foram bem elaboradas e perfeitamente traduzidas para o momento presente, mas confesso que toda a argumentação do vídeo poderia ter se encaixado ainda melhor com a roupagem de Mr. Robot. Assim como o anterior, apenas legendas transcritas.

#Curta: Tears In The Rain

Baseado no universo do livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick, a produção sul africana Tears In The Rain é uma curta metragem, que mergulha profundamente na estética de Blade Runner (1982).

Escrito e dirigido por Christopher Grant Harvey, Tears In The Rain nos brinda com um interessantíssimo plot, movido pelo questionamento: se replicantes são indistinguíveis dos humanos, o que aconteceria se um humano fosse “aposentado” por acidente? Essa abordagem é apresentada pelo engenheiro John Kampff, personagem que se complementa a história de detecção de replicantes de maneira brilhante.

A ambientação segue o denso clima do filme de 1982, além de trabalhar com outros recursos quase idênticos, como a trilha sonora, luzes e figurino. A pós-produção acabou exagerando no volume da música, que compete com as vozes dos atores e deixando o som ambiente um pouco esquecido. As atuações e o uso da câmera fazem o preço da produção, estimado em somente $1500, ser quase inacreditável. Infelizmente, o vídeo disponibilizado não tem legendas, fato que prejudica os não falantes da língua inglesa, pois todo o roteiro é baseado em diálogos.

Esse não é o único projeto feito por fãs que homenageia esse clássico do cinema, existe ao menos mais um a caminho de um crowdfunding. O meu medo é que essas produções acabem sendo melhores do que a continuação prevista para estrear em 2017.

Site oficial: http://www.christophergrantharvey.com/tears-in-the-rain.html

Ou assista pelo Vimeo: https://vimeo.com/201415219

#Curta: Loom

Escrito e dirigido por Luke Scott, filho de Ridley Scott, Loom nos apresenta um futuro onde a biotecnologia é explorada ao ponto de existirem direitos de uso do código genético, fato questionado pelo técnico de laboratório Tommy, interpretado por Giovanni Ribisi – O Resgate do Soldado Ryan (1998), Avatar (2009) e muitos outros.

A curta foi realizada para testar os limites de uma tecnologia que ainda era pouco usada em 2012, o 4k. Por isso, me surpreendi com a qualidade entregue de outros fatores, como: direção, atuação, fotografia e trilha sonora. Apenas não apreciei alguns dos efeitos sonoros, que ficaram exagerados.

A ampla gama de cores testadas nos cenários, dão um clima bem único a curta metragem, que também consegue entregar detalhes bem nítidos em ambientações escuras. Muitos compararam a obra com Blade Runner, principalmente pelo aspecto distópico. A trama questiona o tecnocorporativismo e encerra com uma citação de Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Por fim, vale dizer que Luke dirigiu um longa, Morgan (2016), que mistura os gêneros horror e sci-fi. O filme teve seu trailer feito pelo computador IBM Watson, após a análise de centenas de trailers do gênero com as técnicas de aprendizado de máquina (learning machine). Luke parece seguir os passos do pai, o que pode ser um bom sinal para os fãs de ficção especulativa.

Como a resolução em 4k e 3D somente foram exibidas nos cinemas, temos de nos contentar com o 720p HD: