Shohei Otomo

Trabalhando apenas com canetas esferográficas (acredite se quiser!), Shohei Otomo retrata a sociedade japonesa, buscando representar seus aspectos mais incomuns aos nossos olhos. A ambientação suburbana se funde a estética oriental em suas ilustrações, o que confere um clima bastante cyberpunk a sua arte, mesmo na ausência de elementos tecnológicos futuristas.

Shohei é filho de ninguém mais, ninguém menos que Katsuhiro Otomo, o criador e diretor de Akira. Assim como o pai, ele parece se voltar ao lado “punk” da sociedade japonesa. É possível acompanhar seus trabalhos em seu site oficial, onde há uma lista com suas ilustrações:

http://hakuchi.jp/top.html

Blog (Tumblr):
http://hakuchi.tumblr.com/

Facebook:
https://www.facebook.com/ShoheiOtomo/

Instagram:
https://www.instagram.com/shohei_otomo/

Em seu canal do YouTube, é possível assistir Shohei durante a produção de algumas ilustrações, mas é um processo bem longo, entre cinco e oito horas:

https://www.youtube.com/user/hakuchitare/

Em outros vídeos espalhados pela Internet, o ilustrador aparece descrevendo seus métodos criativos, inspirações, perspectivas, objetivos e críticas sociais que tenta passar com sua arte (com legendas em inglês).

The Wolf & The Hunt Continues

Com a popularidade do seriado Mr Robot, a HP aproveitou para produzir The Wolf, seu branded content sobre cibersegurança com o ator Christian Slater. (Obs.: Branded Content trata-se de um conteúdo de entretenimento produzido por empresas)

Em apenas 6 minutos, Slater nos introduz ao mundo invisível das brechas de segurança dentro do ambiente de trabalho. A partir de uma simples impressora sem proteção contra malwares, companhias inteiras podem ser invadidas por hackers.

A recepção foi tão boa (até o momento, vista por mais de 2 milhões de pessoas no YouTube), que uma sequência foi realizada sobre o nome The Wolf: The Hunt Continues. Dessa vez, ainda mais parecido com Mr Robot (note a semelhança da trilha sonora), Slater altera dados médicos para mostrar como podemos ser facilmente manipulados.

O mais interessante dessas curta metragens é que a atmosfera do seriado Mr Robot foi “copiada” pela produção da HP, o que consegue distrair o espectador do fato que The Wolf é um merchandising de uma empresa interessada em vender produtos da área de informática. Repare nas observações irônicas feitas por Slater, como se fosse apenas mais um episódio de Mr Robot, e divirta-se com o conteúdo de primeira qualidade (há legendas disponíveis em português, basta ativá-las):

The Wolf

The Wolf: The Hunt Continues

 

#Curta: Archetype

A maioria das curtas de ficção científica que assisto não passam do clássico embate Homem Vs Máquina. Archetype consegue ir um pouco além. Após a cena inicial, somos surpreendidos com um homem interrogando uma unidade robótica de combate. É de se estranhar uma cena dessas, afinal bastaria checar a programação do robô, ao invés de tratá-lo como um humano em uma sala, sentado numa cadeira enquanto esclarece os fatos.

Quando é revelado que o interrogatório se trata de uma simulação virtual, a curta já caminha para o seu desfecho, explicando o porque da humanização da unidade de combate.

O diretor, Aaron Sims, mais conhecido por sua arte conceitual, é outro caso de um profissional já inserido no meio cinematográfico hollywoodiano, tentando produzir suas próprias ideias. Seu nome está creditado em tantas produções famosas, que seu IMDB fala por si. Por isso, não é de se espantar que os direitos da obra foram comprados pela Fox Studios. Entretanto, desde 2012 o projeto parece estar engavetado…

As atuações e os efeitos especiais são convincentes. Recomendo assistir aos créditos finais em tela cheia, pois diversas ilustrações e animações são exibidas, nos fazendo imaginar mais daquele mundo sombrio que não apareceu nas filmagens.

#Ilustração/Fotografia: Hidrico Rubens

Misturando arte digital com fotografias, o espanhol Hidrico Rubens trabalha com temas fantásticos em sua produção bastante voltada ao cosplay. Sua capacidade de ambientar suas obras é incrível, vale a pena acompanhar esse artista.

ArtStation: https://www.artstation.com/artist/hidrico

DeviantArt: http://hidrico.deviantart.com/

Instagram: https://www.instagram.com/hidricorubens/

Facebook: https://www.facebook.com/hidricophotography/

Burning Chrome

Mass Effect 3

#Curta: Tears In The Rain

Baseado no universo do livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick, a produção sul africana Tears In The Rain é uma curta metragem, que mergulha profundamente na estética de Blade Runner (1982).

Escrito e dirigido por Christopher Grant Harvey, Tears In The Rain nos brinda com um interessantíssimo plot, movido pelo questionamento: se replicantes são indistinguíveis dos humanos, oque aconteceria se um humano fosse “aposentado” por acidente? Essa abordagem é apresentada pelo engenheiro John Kampff, personagem que se complementa a história de detecção de replicantes de maneira brilhante.

A ambientação segue o denso clima do filme de 1982, além de trabalhar com outros recursos quase idênticos, como a trilha sonora, luzes e figurino. A pós-produção acabou exagerando no volume da música, que compete com as vozes dos atores e deixando o som ambiente um pouco esquecido. As atuações e o uso da câmera fazem o preço da produção, estimado em somente $1500, ser quase inacreditável. Infelizmente, o vídeo disponibilizado não tem legendas, fato que prejudica os não falantes da língua inglesa, pois todo o roteiro é baseado em diálogos.

Esse não é o único projeto feito por fãs que homenageia esse clássico do cinema, existe ao menos mais um a caminho de um crowdfunding. O meu medo é que essas produções acabem sendo melhores do que a continuação prevista para estrear em 2017.

Site oficial: http://www.christophergrantharvey.com/tears-in-the-rain.html

Ou assista pelo Vimeo: https://vimeo.com/201415219

#Curta: Loom

Escrito e dirigido por Luke Scott, filho de Ridley Scott, Loom nos apresenta um futuro onde a biotecnologia é explorada ao ponto de existirem direitos de uso do código genético, fato questionado pelo técnico de laboratório Tommy, interpretado por Giovanni Ribisi – O Resgate do Soldado Ryan (1998), Avatar (2009) e muitos outros.

A curta foi realizada para testar os limites de uma tecnologia que ainda era pouco usada em 2012, o 4k. Por isso, me surpreendi com a qualidade entregue de outros fatores, como: direção, atuação, fotografia e trilha sonora. Apenas não apreciei alguns dos efeitos sonoros, que ficaram exagerados.

A ampla gama de cores testadas nos cenários, dão um clima bem único a curta metragem, que também consegue entregar detalhes bem nítidos em ambientações escuras. Muitos compararam a obra com Blade Runner, principalmente pelo aspecto distópico. A trama questiona o tecnocorporativismo e encerra com uma citação de Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Por fim, vale dizer que Luke dirigiu um longa, Morgan (2016), que mistura os gêneros horror e sci-fi. O filme teve seu trailer feito pelo computador IBM Watson, após a análise de centenas de trailers do gênero com as técnicas de aprendizado de máquina (learning machine). Luke parece seguir os passos do pai, o que pode ser um bom sinal para os fãs de ficção especulativa.

Como a resolução em 4k e 3D somente foram exibidas nos cinemas, temos de nos contentar com o 720p HD:

Pokémon Cyberpunk – Parte II

Em 2004, era exibido no Japão, o episódio de nº 341 de Pokémon, que já estava em sua 7ª temporada. Ainda que não apresente tantos elementos cyberpunks quanto os descritos na Parte I, o episódio Gulpin it Down! (The Great Gokulin Repelling Strategy!!) tem bastante influência da ficção científica japonesa.

No Brasil, o título foi traduzido simplesmente como “Os Gulpins”. E nele, acompanhamos a jornada de Ash e seus amigos, que se deparam com uma horda de Pokémons que ameaçam consumir todos os suprimentos da cidade.

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Ash e seus amigos observando o raio de partículas subatômicas em ação.

Para combater a invasão de Gulpins, o Professor Jacuzzi utiliza de uma isca presa a uma espécie de drone para desviar a rota dos Pokémons, mas isso acaba não sendo suficiente. Então, após um pouco de batalha, Jacuzzi retorna com mais uma surpresa. É aí que entra a ficção científica!

Armado com alta tecnologia, ele emite um raio de partículas subatômicas, capaz de absorver a matéria e utilizar dos poderes dos Gulpins, para armazená-los virtualmente e em seguida, arremessá-los por um canhão à velocidade de Mach 3 (3704,4 km/h).

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Por mais que seja absurdo, é um uso eficiente da tecnologia, pois aproveita dos movimentos do Pokémon para realizar todo o trabalho. Mas algo dá errado quando as partículas reagem de forma inesperada, tornando dois Pokémons em seres gigantes, em clara homenagem ao cinema japonês! Então, aquela cena que todos conhecemos de nossas infâncias, é realizada em meio aos prédios da cidade.

Em sintonia com nosso tempo, nada mais cyberpunk do que usar de tecnologias para dispersar multidões. Em Akira (1988), temos uma cena de cerco policial, algo bastante comum para representar opressão a populares, comparem:

pokemon-akira

Visualmente, temos o Professor Jacuzzi atuando no centro de comando de seu caminhão. Para essa cena de ação tecnológica, ele coloca um acessório bastante conhecido no cyberpunk: o óculos escuro. Mais uma vez, algo me lembrou de Akira:

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Com uma batalha de Pokémons gigantes, não da para evitar de pensar novamente em Akira… Pois é, são semelhanças demais. Porém, não passa de uma mera coincidência, pois é uma homenagem óbvia a Godzilla. Mesmo que Pokémon provavelmente não satisfaça o público cyberpunk, ele conseguiu fazer uma bela homenagem a ficção científica japonesa.

Outra cena interessante do episódio, onde também cabe uma comparação, é o acompanhamento da movimentação dos Gulpins. Assim como em Ghost In The Shell, temos alguém operando diante de um computador o tempo todo:

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