Dossiê whitewashing: Ghost In The Shell

Passado mais de uma mês após a estreia da adaptação americana de Ghost In The Shell, o calor da discussão finalmente abaixou. Mas afinal, foi ou não foi whitewashing?

Por definição, whitewashing é uma prática da indústria cinematográfica em que atores brancos são escalados para papéis racialmente diferentes ou de etnia estrangeira. O cinema americano realiza isso há tempos e essa lista da Wikipedia pode dar uma ideia de quão comum isso é:

https://en.wikipedia.org/wiki/Whitewashing_in_film#List_of_films

Durante a produção de Ghost In The Shell, muito se especulou sobre o “embranquecimento” de Motoko Kusanagi. Houve até um boato sobre alterar digitalmente o rosto de Scarlett Johansson, para que ela ficasse com traços asiáticos. A desaprovação de parte do público ganhou notoriedade nas redes sociais e uma petição virtual conseguiu reunir mais de 105 mil assinaturas para que a atriz fosse substituída.

Reuni alguns argumentos de ambos lados para expor melhor a situação:

Continuar lendo

Anúncios

Hackers (1995)

Lançado em 1995, ano de grande importância (e por que não dizer também mudanças?) para o gênero, Hackers trazia ao cinema uma visão pop da cultura hacker.

Sinopse:
Aos 11 anos, um adolescente conhecido como Zero Cool se torna uma lenda depois de inutilizar 1507 computadores em Wall Street, provocando um caos no mundo financeiro. Proibido de usar um computador até chegar aos 18 anos, ele finalmente retorna sob o codinome Crash Override. Junto de seus novos amigos, ele terá de reunir evidências contra um complô que tenta os incriminar, ao mesmo tempo em que são perseguidos pelo Serviço Secreto.

Continuar lendo

College Humor – The Matrix

O College Humor, um grupo americano que faz conteúdo humorístico online desde 1999, já parodiou a cultura pop de diferentes formas. Dentro do universo cyberpunk, a franquia The Matrix já foi duas vezes parte da ambientação para tratar dos mesmos assuntos: computação, internet e cibercultura.

Em Matrix Runs on Windows XP, que foi ao ar em 2008, cenas do filme The Matrix foram refeitas e adaptadas para satirizar o produto da Microsoft. Os elementos de computação estão em todo parte, se misturando a trama, causando aquelas risadas involuntárias para quem já foi usuário desse sistema operacional. O vídeo só não é mais satírico, por não ter escolhido rodar a Matrix no Windows Vista. Infelizmente, só há legendas transcritas automaticamente e elas não são muito precisas, mas os diálogos são fáceis de entender. Para os ex-usuários, imagens já são o suficiente.

Em The Terrifying Cost of “Free” Websites, vemos uma crítica muito mais elaborada, mas com um tom de humor muito menor. Abordando a questão de cibersegurança e da utilização dos dados dos usuários, estamos diante de uma fértil temática cyberpunk. Nesse vídeo, também temos um uso de efeitos especiais de maior qualidade, afinal, ele foi gravado em 2016. As referências a saga The Matrix foram bem elaboradas e perfeitamente traduzidas para o momento presente, mas confesso que toda a argumentação do vídeo poderia ter se encaixado ainda melhor com a roupagem de Mr. Robot. Assim como o anterior, apenas legendas transcritas.

#Curta: Tears In The Rain

Baseado no universo do livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick, a produção sul africana Tears In The Rain é uma curta metragem, que mergulha profundamente na estética de Blade Runner (1982).

Escrito e dirigido por Christopher Grant Harvey, Tears In The Rain nos brinda com um interessantíssimo plot, movido pelo questionamento: se replicantes são indistinguíveis dos humanos, o que aconteceria se um humano fosse “aposentado” por acidente? Essa abordagem é apresentada pelo engenheiro John Kampff, personagem que se complementa a história de detecção de replicantes de maneira brilhante.

A ambientação segue o denso clima do filme de 1982, além de trabalhar com outros recursos quase idênticos, como a trilha sonora, luzes e figurino. A pós-produção acabou exagerando no volume da música, que compete com as vozes dos atores e deixando o som ambiente um pouco esquecido. As atuações e o uso da câmera fazem o preço da produção, estimado em somente $1500, ser quase inacreditável. Infelizmente, o vídeo disponibilizado não tem legendas, fato que prejudica os não falantes da língua inglesa, pois todo o roteiro é baseado em diálogos.

Esse não é o único projeto feito por fãs que homenageia esse clássico do cinema, existe ao menos mais um a caminho de um crowdfunding. O meu medo é que essas produções acabem sendo melhores do que a continuação prevista para estrear em 2017.

Site oficial: http://www.christophergrantharvey.com/tears-in-the-rain.html

Ou assista pelo Vimeo: https://vimeo.com/201415219

Estranhos Prazeres (1995)

Sinopse:
Nos últimos dias de 1999, em Los Angeles, o ex-policial Lenny Nero (Ralph Fiennes) negocia CDs contendo emoções e memórias de outras pessoas. Quando um disco que contém os últimos registros de uma prostituta assassinada vai parar em suas mãos, sua vida passa a correr perigo. Em meio ao clima de tensão racial que domina a cidade, a revelação do conteúdo do misterioso CD pode ser o estopim de uma incontrolável reação popular.

Continuar lendo

The Akira Project

The Akira Project foi um projeto de financiamento coletivo lançado no site Indiegogo em 2012, que infelizmente não rendeu a quantia total desejada. Entretanto, seus idealizadores, que já haviam investido $ 5.000,00 do próprio bolso e algumas doações para realizar uma curta metragem fan made do aclamado Akira, realizaram um trailer daquilo que teria sido o projeto original.

Continuar lendo

Johnny Mnemonic (1995)

Johnny Mnemonic é o filme que me iniciou na cultura cyberpunk. Por isso acho justo ser o primeiro a receber uma análise no Cyber Cultura.

Sinopse:
Em 2021, o mundo inteiro está conectado através de uma gigantesca Internet. Metade da população é afetada pela SAN, uma espécie de AIDS do século XXI, uma alergia fatal às ondas eletromagnéticas. No entanto, um mensageiro cibernético (Keanu Reeves) é contratado para transportar 320 gigabytes que contêm a cura para este mal em um chip implantado no seu cérebro. Entretanto, seu cérebro está saturado e um grupo planeja impedi-lo de levar esta informação. Deste modo, ele tem apenas um dia para salvar a si e ao mundo.

Continuar lendo

Kung Fury e True Survivor

Apesar de atrasado, resolvi criar um post sobre o curta metragem Kung Fury, que virou uma febre na internet no mês de Maio, quando foi lançado oficialmente. Apesar de todas as ligações que o curta tem com alguns temas, não se trata de um universo cyberpunk que esta sendo retratado em seu enredo. O que acontece é uma grande mistura de eventos e muitas referências aos anos 80.

Continuar lendo