Postagens, Cyber Cultura e dois anos fumegantes

Em 2015, quando iniciei o Cyber Cultura, nem mesmo sabia o que tinha em mente. Apenas queria trazer um pouco de conteúdo do que é comentado nos fóruns de cyberpunk para a língua portuguesa. Trazer a discussão, os questionamentos, os temas de debates e, que sabe, um pouco de esclarecimento.

Nunca havia tentado blogar nada com seriedade. Aliás, blogs já não são mais a mesma ferramenta de informação que um dia foram… Quem teve contato com a cultura virtual de mais de dez anos atrás, sabe do que estou falando. Ainda assim, blogs continuam sendo um bom local para encontrar algum tipo de pessoalidade que se perdeu em meio a tantos sites de conteúdo “geek” replicadores de notícias.

Por isso, ao invés de simplesmente desanimar – afinal, o blog quase não é conhecido/visitado – com o baixo alcance e interesse do público, eu percebi o quanto é interessante trabalhar em minhas postagens dessa maneira. Não preciso corresponder a expectativas, não preciso desenvolver resenhas de teor “café com leite” para agradar ninguém (leitor, autor, editora), não preciso ter compromisso com periodicidade, padronização e qualidade para não perder público. Sou livre!

Agora, depois de quase dois anos e meio, fica cada vez mais claro que não dá para simplesmente seguir a diretriz inicial. Eis o motivo: não há um espaço para referenciar o cyberpunk na blogosfera brasileira. Todos os outros blogs que encontrei estão em hiato indeterminado. Filmes, livros, séries e quaisquer outros tipos de conteúdos não recebem uma atenção, um olhar clínico sobre como se relacionam com o cyberpunk. É necessário ponderar, explorar o gênero, principalmente em sua produção nacional, que carece muito de boas resenhas. Sem uma opinião crítica, jamais haverá um estímulo à produção independente de qualidade.

Mas depois desse tempo, também percebi que manter um blog interessante é difícil até mesmo para mim, porque isso requer tempo. E haja tempo para pesquisar, ler, assistir, analisar, procurar opiniões diferentes e referências para, enfim, colocar em prática e perceber que tudo isso rendeu pouco mais de cinco linhas. E essa é a parte divertida. A parte difícil é conciliar esse tempo à vida pessoal e descobrir que não o possui. Então, a melhor maneira que encontrei de contrabalancear esses pesos, foi a de disciplinar e orientar as postagens e projetos que tenho.

Para começar, algo que estou devendo a mim mesmo há mais de um ano, que é elaborar um lista com as obras nacionais do gênero em quaisquer mídias. Infelizmente, a nossa produção é tão pequena que é possível rastreá-la com um ligeiro esforço. Continuando a lista, o próximo passo é tentar coletar dados editoriais através de entrevistas, para melhor compreender o alcance do gênero. Por fim, diminuir o tempo que levo para elaborar resenhas e, quem sabe, até buscar opiniões de autores e pesquisadores. Fora isso, há várias postagens antigas a serem modificadas, apagadas ou refeitas, pois minha cabeça mudou e já não me enxergo em todas as palavras que escrevi.

Entretanto, não será um processo rápido, pois tendo decidido estudar e começar a me dedicar um pouco mais a escrita, o Cyber Cultura receberá bem menos atenção.

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6 comentários sobre “Postagens, Cyber Cultura e dois anos fumegantes

  1. Entendo seu ponto de vista , realmente é difícil manter um blog , principalmente se depende de críticas sobre filmes e livros , pois demanda ainda mais tempo.

    Talvez a blogosfera nacional sobre isso esteja parada, mas estamos nela e nos devemos manter o movimento que ainda há .

    Boa sorte com essa nova fase de seu blog 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    • Muito obrigado, Lyncon.
      Blogar é algo que consome bastante tempo. Eu fico surpreso com alguns que encontro por aqui e ali, de tanta dedicação que há por parte dos autores desses conteúdos. Minha meta é ser assim algum dia hehehe. Mas só chega lá quem segue se movimentando, como você sugeriu.

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    • Pois é, Ana Cristina, você tem razão quanto a isso. O cyberpunk, assim como outros movimentos, foi tragado pela cultura pop. O próprio movimento musical Punk passou por isso (por mais que alguns fãs se neguem a aceitar). A estética “rebelde” dos anos 80, hoje em dia é um grande revival.
      Sobre o pensamento hacker, acredito que cabem aí muitas considerações, já que todos os desdobramentos e vertentes relacionadas a cultura hacker, não seguem uma mesma ética sobre suas ações. E, com base no setor de cibersegurança, é impossível dizer que os hackers não foram assimilados pelo mercado.

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