Construindo o Cyberpunk – Parte III

Inteligências artificiais são elementos frequentes na ficção especulativa, gerando boas discussões sobre as consequências de sua criação. No filme O Exterminador do Futuro (1984), a Skynet tem por objetivo destruir os humanos. Já nos livros de Asimov, a criação das Três Leis da Robótica visa possibilitar a coexistência de humanos e robôs inteligentes.

Para se moldar uma realidade [ainda] mais próxima do cyberpunk, seria necessário que a atual tecnologia desse um avanço em direção a essa área. Pois existe uma diferença entre as já existentes IAs e as imaginadas por diversos autores. Compreender o conceito de IA é fundamental para traçar um paralelo entre elas e encontrar o ingrediente que falta para vislumbrarmos máquinas inteligentes ao ponto de não conseguirmos diferenciá-las de humanos.

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Por definição, vale parafrasear a Wikipédia sobre o que é o campo da IA: “O estudo e projeto de agentes inteligentes, onde um agente inteligente é um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso”. Isso permite não limitar a ideia de IA a um nível demasiado sofisticado, a exemplo de nossa própria capacidade intelectual.

Atualmente, há pelo menos três tipos de inteligências artificiais que se destacam pela sua eficiência em realizar tarefas e pelo enorme uso dentro da área de pesquisas acadêmicas. São elas: redes neurais, algoritmos genéticos e lógica fuzzy (difusa).

Em suma, todas são técnicas que visam encontrar a melhor resposta para um determinado sistema. Sua praticidade tem tornado a busca de resultados incrivelmente mais fácil. Isso também ajuda a desenvolver as bases para compor um sistema de escolhas em máquinas futuras, através de modelos que são aperfeiçoados por elas.

Apesar disso, não temos nenhuma inteligência artificial geral, ou GAI (General Artificial Inteligence), que seria o ponto citado lá em cima que nos despertaria para um momento único. Uma inteligência capaz de realizar qualquer tarefa intelectual como um humano, inclusive raciocinar sobre si. A partir desse momento, os questionamentos sobre direitos, definição de vida, consciência e tudo mais, deixariam o mundo das teorias para se confrontar com uma nova realidade.

Dentro desse quadro, é importante lembrar que nosso apego a forma física deverá ser esquecido para tal discussão. Pois o processamento de dados que permitirá esse tipo de inteligência não requer formas, tampouco que sejam humanoides. Isso apenas ocuparia capacidade de processamento para manter-se em equilíbrio, deslocar-se, gesticular, etc…

Seres inteligentes artificiais nos agregariam diariamente com um grande auxílio no ambiente virtual. Assistentes como a Cortana e Google Now já procuram fazer isso, mas não dá para comparar suas limitações diante da sofisticação de Wintermute, do livro Neuromancer (1984). A tendência é que a diferença entre esses dois tipos inteligências diminua nos próximos anos, tudo graças a pesquisas nos mais diversos ramos da IA. Em algum momento, apontam alguns teóricos, que chegaremos a Singularidade Tecnológica, um evento de enorme avanço tecnológico em um curto espaço de tempo. Onde IAs superariam a inteligência humana.

É exatamente aí que mora a dúvida sobre o comportamento de seres mais inteligentes do que nós. Sabemos que seres (animais) com senciência e com algum grau de inteligência, nem sempre são tratados com dignidade, pois nos colocamos como uma espécie superior e transformamos a natureza a nosso bel prazer. Então, numa situação da qual já não podemos nos declarar superiores em relação a seres artificiais, que são capazes de eleger suas próprias escolhas e desprovidos de empatia por nossa espécie, qual tipo de tratamento nos dariam? O resultado é imprevisível e isso é assustador!

O cyberpunk é um ótimo subgênero para explorar a reação artificial, humana e pós-humana diante dum evento de Singularidade Tecnológica. A integração da tecnologia no cotidiano é apenas a ponta de um grande iceberg de um futuro próximo. E além dele, existe outra teoria que nos cabe questionar, a Super Inteligência. Esse termo popularizado por Nick Bostrom (filósofo da Universidade de Oxford, cuja obra sobre o tema entrou para lista de best sellers do New York Times em 2014), tenta nos dar uma visão de uma inteligência tão exponencialmente maior do que a nossa, que trataria de conceitos que somos incapazes de compreender. Uma ilustração comum dentro desse tema, é a comparação de nosso intelecto com o de um inseto. É impossível que ele entenda nossa comunicação e ciências, assim como nos será impossível compreender os avançados conhecimentos de uma Super Inteligência.

Talvez, um desafio para os transhumanistas será justamente equiparar essa evolução, permitindo melhorar nossas capacidades através de muita neurociência e tecnologias de armazenamento e processamento de dados integradas a nossa biologia.

Voltando ao cyberpunk, é provável que não demore muito tempo para alcançarmos o degrau que tem nos separado das IAs de suas tramas. As atuais são boas ferramentas e estão sendo usadas em baixo de nossos narizes (se você duvida, ouça os podcasts que indicarei no próximo post). As abordagens tecnológicas do cyberpunk e outros gêneros da FC, nos fazem refletir sobre nosso presente e futuro, discutindo possibilidades e nos preparando para lidar com essas situações.

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2 comentários sobre “Construindo o Cyberpunk – Parte III

  1. Pingback: Podcasts Braincast/Scicast: Inteligência Artificial | Cyber Cultura

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