Erros – Parte II

Continuando a procura de equívocos na determinação desse subgênero da ficção científica, o seguinte erro mais notável, acredito que se trata da origem do termo Cyberpunk. A versão reconhecida como oficial na maioria das fontes de pesquisa, surgiu em um conto de Bruce Bethke, intitulado “Cyberpunk”. Ele diz ter inventado a expresão deliberadamente. Algumas pessoas adicionam que ele havia sido hackeado lá pelo começo da década de 80, e que isso o inspirou a escrever tal conto.

Também já vi textos responsabilizarem o editor da revista americana Asimov’s Science Fiction, Gardner Dozois, pelo surgimento dessa palavra. Apesar da criação dessa nomenclatura não ter sido sua invenção, foi dele a “culpa” em torná-la popular. Em um artigo ao jornal The Washington Post, ele teria usado do termo para descrever a ficção científica oitentista de autores como William Gibson, Bruce Sterling, Pat Cadigan, Lewis Shiner e John Shirley. Antes de Cyberpunk, muitos outros nomes foram dados ao movimento, como: radical hard SF, the outlaw technologists, the eighties wave, the neuromatics, the mirrorshades group, the moviment…

E o assunto vai além, pois há uma enorme discussão sobre o termo “Punk” dentro da palavra cyberpunk. Muito é dito sobre a influência [do Punk] na estética e comportamento dos personagens. Quando o assunto surge em grandes grupos, aparecem lados entre pessoas que querem ter razão sobre como utilizar os argumentos da cultura punk em cima desse tipo de literatura. Enquanto que, segundo seu criador [Bruce Bethke], o punk vem da atitude. Ele usou a justaposição das palavras de forma que soassem bem aos ouvidos, mas a razão de tê-la criada, foi puramente mercadológica. Inclusive, Bethke revelou que, se soubesse que estaria respondendo perguntas sobre o termo que criou, o teria registrado.

Acredito que o cyberpunk se desenvolveu muito além da literatura, causando todas as discussões e análises sobre o quão punk é o cyberpunk. Um bom texto sobre isso pode ser lido no Neon Dystopia. Além disso, os subgêneros do cyberpunk, receberam também o sufixo -punk, sendo que muitos deles não apresentam nada de punk em suas histórias, talvez porque o movimento já havia se dissolvido e absorvido pela cultura pop. Tornando-se apenas um sufixo de designação para histórias de ficção que retratam certas épocas e/ou tecnologias.

Cyberpunk se tornou sinônimo de hackers, futuro próximo, tecnologias invasivas, megacorporações substituindo o Estado, alienação tecnológica, cultura oriental no ocidente, luzes neon, luta contra corporações, entre tantas outras características de suas tramas e cenários. Cada episódio do mundo real que pareceria futurista há 10, 20 ou 30 anos, é considerado um evento cyberpunk nos tempos atuais. De certa forma, é possível dizer que a generalização do termo, tornou-o referência para qualquer novidade do cenário tecnológico contemporâneo. A intenção de Bruce Bethke ganhou proporções maiores do que ele poderia imaginar.

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