#Curta: Sync

A cada 15 segundos, um computador, rede ou dispositivo móvel é pirateado por ciberterroristas. Para combater esse problema, a Syntek Industries fabricou entregadores de dados projetados a partir de avançadas máquinas robóticas. Esses entregadores são conhecidos como SYNCS. Os Syncs estão programados para fornecer pacotes de dados de forma segura sem interrupção.

A proposta de Sycn não é inovadora. Na verdade, é bem parecida com Johnny Mnemonic (1995). Trocam-se alguns detalhes aqui e ali, mas o entregador de dados sigilosos está lá.

Dirigida por Hasraf ‘Haz’ Dulull, muito conhecido por seus efeitos visuais, a curta foi custeada por um crowdfunding no Indiegogo e lançada em 2014. A produção é consideravelmente boa, deixando a desejar apenas em alguns detalhes. Os mais notáveis, são: a tremulação da câmera em momentos que não temos exatamente uma cena de ação, ou que exigisse tal recurso. O tiroteio artificial, que parece ter sido o maior desafio da direção. E o ator no papel de investigador que não tem uma atuação proporcional a importância de seu personagem.

A trilha sonora confirma a tendência de um estilo eletrônico que vem sendo adotado na FC, iniciado pelo Daft Punk em Tron: O Legado (2010), uma pena ela ser tão breve.

Também é possível assistir ao Making Off da produção pelo Vimeo.

Postagens, Cyber Cultura e dois anos fumegantes

Em 2015, quando iniciei o Cyber Cultura, nem mesmo sabia o que tinha em mente. Apenas queria trazer um pouco de conteúdo do que é comentado nos fóruns de cyberpunk para a língua portuguesa. Trazer a discussão, os questionamentos, os temas de debates e, que sabe, um pouco de esclarecimento.

Nunca havia tentado blogar nada com seriedade. Aliás, blogs já não são mais a mesma ferramenta de informação que um dia foram… Quem teve contato com a cultura virtual de mais de dez anos atrás, sabe do que estou falando. Ainda assim, blogs continuam sendo um bom local para encontrar algum tipo de pessoalidade que se perdeu em meio a tantos sites de conteúdo “geek” replicadores de notícias.

Por isso, ao invés de simplesmente desanimar – afinal, o blog quase não é conhecido/visitado – com o baixo alcance e interesse do público, eu percebi o quanto é interessante trabalhar em minhas postagens dessa maneira. Não preciso corresponder a expectativas, não preciso desenvolver resenhas de teor “café com leite” para agradar ninguém (leitor, autor, editora), não preciso ter compromisso com periodicidade, padronização e qualidade para não perder público. Sou livre!

Agora, depois de quase dois anos e meio, fica cada vez mais claro que não dá para simplesmente seguir a diretriz inicial. Eis o motivo: não há um espaço para referenciar o cyberpunk na blogosfera brasileira. Todos os outros blogs que encontrei estão em hiato indeterminado. Filmes, livros, séries e quaisquer outros tipos de conteúdos não recebem uma atenção, um olhar clínico sobre como se relacionam com o cyberpunk. É necessário ponderar, explorar o gênero, principalmente em sua produção nacional, que carece muito de boas resenhas. Sem uma opinião crítica, jamais haverá um estímulo à produção independente de qualidade.

Mas depois desse tempo, também percebi que manter um blog interessante é difícil até mesmo para mim, porque isso requer tempo. E haja tempo para pesquisar, ler, assistir, analisar, procurar opiniões diferentes e referências para, enfim, colocar em prática e perceber que tudo isso rendeu pouco mais de cinco linhas. E essa é a parte divertida. A parte difícil é conciliar esse tempo à vida pessoal e descobrir que não o possui. Então, a melhor maneira que encontrei de contrabalancear esses pesos, foi a de disciplinar e orientar as postagens e projetos que tenho.

Para começar, algo que estou devendo a mim mesmo há mais de um ano, que é elaborar um lista com as obras nacionais do gênero em quaisquer mídias. Infelizmente, a nossa produção é tão pequena que é possível rastreá-la com um ligeiro esforço. Continuando a lista, o próximo passo é tentar coletar dados editoriais através de entrevistas, para melhor compreender o alcance do gênero. Por fim, diminuir o tempo que levo para elaborar resenhas e, quem sabe, até buscar opiniões de autores e pesquisadores. Fora isso, há várias postagens antigas a serem modificadas, apagadas ou refeitas, pois minha cabeça mudou e já não me enxergo em todas as palavras que escrevi.

Entretanto, não será um processo rápido, pois tendo decidido estudar e começar a me dedicar um pouco mais a escrita, o Cyber Cultura receberá bem menos atenção.

Organismo Cibernético

Desenterrando mais um blog para o acervo do conteúdo em língua portuguesa dedicada ao cyberpunk.

Iniciado em 2012 e ativo até 2013, Organismo Cibernético foi um blog voltado a cultura cyberpunk. Não por acaso há muitas semelhanças com o conteúdo postado aqui no Cyber Cultura. Uma pena que, assim como outros projetos (Cyberpunk Brazil, Cybermagister), caiu em um hiato indeterminado. Apesar disso, o blog continua sendo uma boa fonte de pesquisa.

http://ccyberpunkk.blogspot.com.br/

#Curta: Man In Phone

Imagine acordar dentro de seu smartphone. Essa é a premissa de Man In Phone (2016), a curta metragem dirigida por Mackenzie Sheppard.

De maneira inexplicável, um homem japonês acorda preso dentro de seu smartphone. Transportado para essa outra realidade, ele apenas consegue observar o mundo exterior por de trás da tela, incapaz de se comunicar. A situação, então, o faz confrontar o estrago que o vício tecnológico causou a sua vida.

A produção japonesa consegue surpreender em vários aspectos. A começar pela solução simples de como representar o homem enclausurado, fazendo um bom uso da câmera, do jogo de luzes e explorando o espaço ao redor do smartphone. Mas o principal fator é a crível atuação de desespero do sujeito a observar tudo por de trás de uma tela. Os efeitos especiais são de boa qualidade, assim como os sonoros. Em dado momento apresentam um ciberespaço com uma estética até parecida com o que imaginávamos a algumas décadas, mas com ícones de aplicativos como são usados hoje.

Talvez o mais incrível de Man In Phone sejam as reflexões que ele proporciona em seus menos de oito minutos, além de um desfecho na medida do necessário.

Ou assista pelo Vime:

Cyberpunk na indústria do entretenimento

Em seu Trabalho de Conclusão de Curso, Edson Almeida Costa, graduado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte e MBA em Marketing Digital, desenvolveu um estudo sobre o cyberpunk na indústria cultural, usando o mangá Blame! como principal objeto de pesquisa.

É interessante falar sobre Blame! no momento, pois em maio desse ano foi lançada uma adaptação em formato de anime. Além de falar sobre cyberpunk, contracultura e cibercultura, o TCC de Edson acaba sendo uma boa fonte de informação do universo de Tsutomu Nihei, criador da série, retratando com detalhes as influências e características marcantes da obra.

O material pode ser lido pelo link abaixo:
Edson – Monografia – Cyberpunk na Indústria de Entretenimento

Podcast É Pau, É Pedra: Clube do livro – Neuromancer

O podcast formado pelo grupo de contribuidores do Anticast – É Pau, É Pedra – gravou um episódio sobre o clássico Neuromancer, de William Gibson, que foi ao ar em 2016. O programa é boa uma indicação para aqueles que procuram compreender melhor diversas nuances da obra e do movimento literário cyberpunk, como sua datação, linguagem e especulações tecnológicas.

O convidado especial, Fábio Fernandes, quem realizou a última tradução de Neuromancer para o português, conta um breve histórico sobre as diferentes traduções que a obra recebeu desde que foi lançada no Brasil em 1991. Também revela as dificuldades e peculiaridades do processo, que resultou em seu trabalho para a editora Aleph.

Mas atenção: a partir de certo ponto, devidamente comunicado pelos apresentadores, há spoilers comentando todos os capítulos.

Clube do Livro #3 – Neuromancer (William Gibson)

Cyberpunk Writers

Para os que dominam a língua inglesa, o grupo Cyberpunk Writers é um interessante espaço de discussão do subgênero. Focado na arte da escrita e edição, é possível acompanhar o cenário americano independente de ficção científica, percebendo que seus problemas no mercado editorial não são tão diferentes dos nossos.

https://www.facebook.com/groups/874654982584725/

Os administradores também são idealizadores do zine Phase 2 Magazine e da antologia Altered States.