Heineken: The Wall – Uma propaganda cyberpunk

Assim como em outras propagandas abordadas aqui no blog, a Heineken, patrocinadora da UEFA Champions League, produziu em 2017 uma série de comerciais para a televisão, entre eles está The Wall, estrelado pelo brasileiro Ronaldinho Gaúcho.

Em um futuro altamente tecnológico, o craque aparece fugindo das autoridades para, ao final, reencenar um marcante gol em sua carreira (Barcelona e Werder Bremen, na temporada 2005/2006). A ambientação e efeitos especiais não ficam devendo nada para grandes e recentes produções, como Ghost In The Shell (2017) e O Vingador do Futuro (2012). Assista ao comercial:

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Sobre blogs e lobos

À medida que o número de resenhas por aqui vai aumentando (ainda que num ritmo bastante lento), eu acabo me deparando com mais e mais resenhas ruins pela Internet. Como leitor, estou sempre interessado por discussões acerca das obras que consumo e sempre vou atrás de opiniões e interpretações diferentes da minha. Porém vivo me deparando com algo assustador: resenhas que não dizem nada.

Em pleno 2018 já era para eu ter me acostumado com o fato de que a Internet é um grande espaço de desordem, caos e etc. Mas ainda assim é notável como algumas coisas procedem e gostaria de compartilhar um pouco do que me “assombra” em relação a pessoas que se dispõem a escrever um texto e postar sua opinião para que outras leiam.

A coisa mais notável nos últimos tempos é a questão da plataforma. Existem tantos sites diferentes para compartilhar conteúdo, porém na maioria das vezes eles são usados da mesma maneira, ou seja, sem um crivo de “como falar sobre algo” em diferentes lugares. Um exemplo simples, o famoso textão de Facebook. Apesar do seu alcance como ferramenta de interação, para textos longos acaba sendo uma porcaria. Não é confortável ler por muito tempo no espaço reservado ao texto no layout do Facebook. Tudo bem que na versão mobile isso acaba sendo menos incômodo, mas ainda assim continua não sendo o melhor lugar para se ler algo longo. Se for para divulgar um texto comentando uma obra pelo Facebook, acredito eu, que vale muito mais a pena ser sucinto, pois é fácil perder o interesse e realizar apenas uma “leitura dinâmica” para saber resumidamente o que estão querendo dizer.

Se o Facebook já não é um lugar exatamente confortável para realizar leituras, o que dizer do Instagram? Provavelmente é o pior lugar para despertar interesse sobre um texto, afinal, é um aplicativo pensado para promover fotos. Os textos não passam de complemento dentro dessa ferramenta. As páginas do Instagram, para quem abre algum link no desktop, são uma bela porcaria para realizar leitura, tornando-as algo quase que exclusivo para ser desfrutado na versão mobile. Mas que assim como o Facebook, passa longe de um conforto para textos longos. Resumindo, o instabooker tem grande potencial para ser um bom fotógrafo.

Já o YouTube, ou melhor dizendo, os canais de booktubers, conquistaram um espaço interessante e ganham cada vez melhores produções. Vejo bastante trabalho bem feito nessa plataforma e é a que mais se adequou ao seu formato, o vídeo. O que quero dizer é que vídeos curtos e médios que colocam o espectador dentro de uma informação ágil me parecem a melhor evolução possível dos antigos blogs literários. Mas não pense que não há uma perca, pois também percebo a falta de certa profundidade nesse formato de resenha, principalmente quando os booktubers passam maior parte do tempo falando do enredo do que resenhando. Já parou para pensar que contar a história de um livro não é o mesmo que resenhar? Pois é, parece que muita gente ainda não se deu conta disso.

E qual a vantagem dos blogs? A resposta é simples: a organização do espaço de postagem. Em quase todo blog gratuito é possível organizar o tamanho da fonte, a posição do texto dentro do layout do site, a cor ou imagem de fundo, assim como a cor da fonte. Sem contar que é fácil adicionar fotos em posições estratégicas, inserir símbolos, hyperlinks, usar recursos html, etc…

Agora continuando com outra questão essencial: por que leitores também resenham? Acredito que a maioria sente alguma empolgação após finalizar uma leitura e isso os compelem a escrever qualquer coisa. Se por um lado isso é legal, por outro, estamos acumulando uma certa quantidade de informação que dificulta encontrar uma opinião que realmente diga algo sobre uma obra. E aqui vai um óbvio exemplo: Skoob. Basta entrar em algum best-seller, de preferência algum que acrescente um pouco de estilo e técnica narrativa, como Clube da Luta (1996), e você vai entender onde quero chegar. Isso me deixa um pouco preocupado, imaginando se existe ou não um amadurecimento do leitor após encarar uma obra.

Mas voltando ao Skoob, já encontrei muita resenha onde alguém apenas copiou e colou a sinopse do livro. Ou então, leitores que não compreenderam certas questões conceituais básicas que compõe a trama/projeto de alguma obra. Mas isso não é um problema localizado, o mesmo tipo de informação (ou chame isso de resenha se preferir) na Amazon e blogs. Um exemplo interessante foi um texto postado num espaço dedicado a resenhas, mas que só continha frases de efeito ditas pelos personagens.

Acredito que exista um motivo para resenhar que não seja a euforia de acabar um livro ou um quadrinho. Ocasionalmente me deparo com editoras que compartilham resenhas de obras que elas publicaram e percebo que o que elas receberam, na verdade, foi apenas uma sinopse de algum instabooker, ou o resumo da trama principal por um booktuber. Fico decepcionado nesses momentos, pois não era esse o tipo de informação que eu buscava.

Não é difícil parar um pouco para estudar o meio editorial. Tenho feito isso nos últimos anos e foi algo que me ajudou imensamente ao analisar um livro. Existe uma rede enorme de podcasts, grupos virtuais e autores dedicados a fomentar a literatura. Basta ter interesse para se tornar um leitor/resenhista “melhor”.

Podcast O Drone Saltitante: Carbono Alterado & Alamut

Marcando o retorno da dupla Diana Ruiz e Igor Rodrigues, o episódio lançado em 02/03 abordou o livro Carbono Alterado. Para que mantém o hábito de ouvir podcasts, provavelmente irá gostar da nova abordagem de O Drone Saltitante.

Sobre a discussão acerca da obra postcyberpunk, as opiniões são bastante honestas, pois reconhecem características do livro que pretendo abordar numa resenha após realizar a releitura de Carbono Alterado.

Ep. #127 – Carbono Alterado & Alamut

#Jogo: Cyberpunk 2050

O jogo promete uma aventura cyberpunk, mas não é exatamente isso o que ele entrega. Cyberpunk 2050 está mais para um “ode” à nostalgia oitentista. O uso das cores, ambientação urbana e noturna e da bela trilha sonora Synthwave agraciam a estética da década de 80, mas não o torna em uma experiência de ficção científica.

Desenvolvido pela Solar-Games e também anunciado pelo nome de Volterra, Cyberpunk 2050 parece ser uma versão Beta e pode ser adquirido gratuitamente para Android. Na verdade, o jogo parece ter sido reaproveitado de outro projeto da empresa, o Tron Race, mas que aparentemente ainda não está disponível.

Não me entendam mal, o jogo não é ruim, mas lhe faltam objetivos, pois só há uma coisa a ser feita: assaltar bancos. Estranhamente, para um jogo tão básico, não há propagandas nem formas de prender o jogador a compras de crédito com dinheiro real. Porém não há o que se fazer além de roubar bancos. Basta você aparecer em frente a um, jogar as sacolas dentro do seu veículo e dar fuga! Há itens e upgrades para ajudá-lo a escapar da polícia, mas, com sinceridade, metade deles não tem uma eficiência alguma.

A jogabilidade é o pior aspecto. Apesar dos comandos serem simples e intuitivos, eles não tornam a experiência do jogo em algo convincente, pois o veículo está sempre preso a uma rota até o próximo comando. Não é possível controlar sua velocidade nem ficar parado por vontade própria. Outro problema é que também não é possível passar em frente a um banco sem  roubá-lo. Há motos policiais que não fazem diferença alguma durante a perseguição, pois elas se destroem a qualquer contato, independente da quantidade de vezes com que você se choca com elas. Ou seja, não há um sistema de dano.

A trilha sonora merece destaque. Apesar de conter poucas músicas, elas se encaixam brilhantemente na atmosfera do jogo. É possível se divertir por algumas horas enquanto não acabam os upgrades, mas a repetição do cenário e falta de objetivos vão acabar por desanimá-lo.

Onde adquirir:

Google Play (Android): https://play.google.com/store/apps/details?id=net.solargames.volterra2

Trailer:

Os Dias Da Peste

Sinopse:
A história se passa em um Rio de Janeiro sombrio e cyberpunk e narra a história de Artur Mattos, um técnico em computadores e professor universitário que ganha a vida percorrendo empresas cujos donos estão desesperados com as panes de suas máquinas. Mostrando a vida solitária e ambígua de Artur, o livro tenta provocar a questão – Será que devemos temer e impedir a inteligência artificial por causa do efeito nocivo de suas tecnologias?

7857028._UY630_SR1200,630_ Continuar lendo

#Jogo: Into Mirror

Desenvolvido pela chinesa Lemon Jam Studio e disponível gratuitamente desde 2016 para Android e iOS, Into Mirror é um jogo de plataforma com um belo cenário cyberpunk.

O enredo segue a linha investigativa de uma equipe especial em uma missão dentro do Mirror, um mundo virtual do qual a humanidade se encontra amplamente dependente. A história se passa no ano de 2076 (não acredito em coincidências, há grandes chances aqui de uma escolha de data guiada pelo tão aguardado Cyberpunk 2077), onde a corporação Mirror se tornou a grande potência mundial em realidade virtual. Mas quando uma garota é sequestrada, causando aquilo que é conhecido como “bug”, ela é impedida de se deslogar. Assim começa a busca de nosso protagonista Allen e sua parceira, Kate, que irão encontrar desafios com as autoridades que parecem querer impedir a investigação.

Apesar do enredo trabalhar com uma proposta bastante cyberpunk, o jogo em si acaba se concentrando somente numa típica aventura de plataforma. Não há muito o que fazer além de correr, pular e atacar. Mas o cenário e itens que compõem as interações do personagem com o mundo de Into Mirror, acabam compensando esse lado.

Há letreiros em kanji e neon por toda parte, grandes prédios e uma predominância de cores frias, que lembram bastante o ambiente de Tron: o Legado (2010). Os inimigos alternam entre o que me pareceram punks e unidades policiais robóticas de formas humanoides, animais e drones. Entretanto, nem todos oferecem muita dificuldade, o que pode tornar o jogo fácil para quem fizer uso de bons itens. Como em todo jogo de plataforma, dá para explorar alguns bugs para ganhar um pouco de vantagem.

O tempo todo parecemos estar numa metrópole durante a noite, o que me fez pensar: o que há de diferente entre o mundo real e o virtual de Into Mirror? Não dá para ter certeza, pois o jogo se passa inteiramente no mundo virtual, não há interação com o mundo externo e, o mais próximo de uma ação relativa a cibernética, é quando você precisa destruir algum terminal. Ou seja, o jogo poderia se passar nas ruas de uma metrópole de verdade. Mas, talvez, isso mude algum dia, caso o estúdio resolva acrescentar atualizações, como fica sugerido após os créditos finais. Confesso que seria bom, pois (ALERTA DE SPOILER) a garota sequestrada sequer aparece no jogo!

Apesar do protagonista conseguir diferentes upgrades, as alterações em suas roupas/armaduras não são visíveis, pois apenas o formato de suas armas se modificam. Como na maioria dos jogos gratuitos, somos invadidos por anúncios. Em Into Mirror não é diferente. O problema mesmo é quando o jogo pausa para pedir ao usuário realizar login no Google Play Games sempre que encontra um item ou passa de nível. Ao menos, é possível obter créditos assistindo propagandas durante o jogo, facilitando a compra de novos itens.

Talvez, o maior problema seja a diferença entre os níveis de volume (que não podem ser ajustados) dos altos efeitos sonoros (FX) e da baixa música de fundo, pois isso tira um pouco da emoção. A única ressalva é no último nível, onde a trilha sonora pode lembrar bons animes cyberpunks de outrora.

Pode não ser um jogo inesquecível, mas proporciona uma boa diversão por algum tempo, além, é claro, de contemplar uma bela ambientação cyberpunk repleta de ação.

Onde adquirir:
Google Play (Android): https://play.google.com/store/apps/details?id=com.lemonjam.intomirror&hl=pt_BR
App Store (iOS): https://itunes.apple.com/br/app/into-mirror/id1072600030?mt=8

Trailer:

#Curta: Perspective

Com um título muito bem pensado – e não digo isso apenas pelo uso da câmera -, Perspective (2011) é uma curta-metragem dirigida por Mehmet Can Kocak, que também aparece em cena.

Como um tributo declarado ao cyberpunk, Perspective conta com a presença de elementos comum ao subgênero, como: o deck, a conexão neural e o ciberespaço. A trama é simples, um usuário em busca de diversão sexual em realidade virtual. O final faz uma referência as origens do termo bug na eletrônica.

A trilha sonora segue a tendência retrô da synthwave, como a maioria dos produtos culturais que tem usado a visão oitentista para compor uma atmosfera cyberpunk.

Ou assista pelo Vimeo:

Terra Incognita

Dentre tantos canais de resenhas no YouTube, o Terra Incognita tem um diferencial: análise de livros de ficção científica ainda não publicados no Brasil. Só por isso, o canal já merece uma conferida.

Criado pelo autor, tradutor e pesquisador literário Fábio Fernandes, o canal é uma ótima fonte de informação para se conhecer algo que nós (leitores sem domínio da língua inglesa) perdemos sobre publicações estrangeiras. Mas fiquem avisados: Fábio é um homem de opiniões fortes e o canal não tem periodicidade definida.

Terra Incognita:
https://www.youtube.com/c/TerraIncognitaBooksNStuff

Deixo em destaques dois vídeos que abordam o movimento cyberpunk. O primeiro é sobre a coletânea Mirrorshades (1986), que continua sem publicação no Brasil.

O segundo é sobre um bate papo muito questionador sobre o que foi e o que é o cyberpunk. Acho as questões abordadas nesse vídeo essenciais para quem procura escrever algo dentro do gênero, ou discutir novos conteúdos e obras.